DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Buenos Aires

Após ouvir muitos amigos contando estórias de suas viagens a Buenos Aires fui convidado por dois amigos para conhecer a capital da Argentina. Como bom marinheiro de primeira viagem, minha primeira preocupação foi: e agora, o que fazer? Decidi visitar diversos sítios que pudessem me informar sobre as atrações turísticas que poderia desfrutar na região. Infelizmente não existe, para Buenos Aires, um sítio como o Viajando para Orlando, que é uma mão na roda para qualquer cidadão que queira ir para Flórida. Porém, como tenho paciência para montar roteiros de viagens, posso até dizer que foi moleza encontrar informações. Trarei, aqui, algumas dicas que considero interessantes para quem pensa em viajar para Buenos Aires e deseja ter um mínimo de atrações e passeios.

1) Duração da viagem

Há quem diga que é possível conhecer BA em apenas 03 dias, mas, sinceramente, viagens curtas só dão dores de cabeça e cansam demais. Para se conhecer uma cidade, ainda que minimamente, deve-se ficar ao menos uma semana completa. Sou o tipo de turista que gosta de vivenciar o cotidiano dos moradores da cidade, sem deixar de fazer os passeios turísticos propícios. Recomendo, então, de 06 a 07 dias de estadia. Até porque, caso você queira ir a outras cidades próximas a BA você terá total liberdade.

2) Formas de transporte

a) Aéreo
Inicialmente, avião para chegada à cidade. Se o voo fizer conexão no Aeroporto Internacional de Carrasco (MVD), em Montevidéu (Uruguai), vá tranquilo. Por mais que seja uma parada a mais, o DutyFree de lá é bem interessante. Em Buenos Aires, há duas maneiras de se chegar: Aeroparque Jorge Newbery (AEP) e Aeroporto Internacional Ministro Pistarini (EZE), antigo Ezeiza. O Aeroparque é muito próximo ao centro da cidade, porém, por ser menor, o cancelamento de voos é bem frequente. A distância até o Ezeiza nem é tão grande como muitas pessoas reclamam e o DutyFree de lá é bem grande, com muita variedade de produtos (até carnes vermelhas encontrei por lá). Ao procurar passagens, dê preferência ao Ministro Pistarini (EZE).

b) Táxi
Os táxis de BA são realmente bem baratos. O custo benefício vale a pena quando se está cansado no fim do dia, com as pernas doendo e aquela vontade monstra de relaxar um pouco. De maneira geral, acredito que é possível conhecer muito de BA andando. Nessa viagem que fiz, andávamos do ponto de origem até o de destino, passeávamos, íamos a outro local andando e somente ao fim do dia, quando voltávamos ao apartamento é que usávamos o táxi. Não se esqueça de verificar as condições climáticas antes de viajar, para evitar uso excessivo de táxi em dias de chuva. Muita gente em outros sites reclama dos taxistas, por trocarem notas falsas e dar calotes nos passageiros. Sinceramente, em mais de 15 táxis que pegamos por lá não nos deparamos com essa situação uma única vez. A dica é: vá com pesos e em notas pequenas, pois agiliza o pagamento e evita troco em moedas altas. Só uma coisa: não se espante com o modo de direção deles – eles são realmente loucos no trânsito.

c) Ônibus
Nessa viagem fizemos uso de ônibus apenas 2 vezes, sendo ida e volta para a província de Lujan. Vimos nas estações de ônibus o mapa e pareceu ser bem tranquilo. Vale a pena para viagens longas, quando táxi fica caro – especialmente se você estiver sozinho.

d) Metrô
Uma grande forma de transporte e que vale – muito – a pena em BA. Ainda que a cobertura geográfica não seja tão grande quanto o metrô de São Paulo ou Nova Iorque, por exemplo, é de grande valia. O bilhete custa ARS 2,50. Um detalhe importante: tome muito cuidado em horários de pico, pois, infelizmente, os pickpockets existem e tentarão tirar-lhe algo dos bolsos se você não estiver atento. Eu fui abordado por um infante, que tentou pegar minha carteira em meu bolso direito, segundos antes da chegada a estação. Percebi a cara de espanto dele quando sentiu minha mão dentro do bolso, de modo a proteger a carteira. Encarei-o e ele saiu correndo logo que a porta se abriu, antes que pudesse avisar alguma autoridade. Se você puder usar o metrô em horários mais tranquilos (entre 09:00 e 11:00 horas e 15:00 e 17:00 horas), recomendo com tranquilidade.

e) Aluguel de carro
Em BA há tradicionais agências que alugam carros, porém, acredito ser totalmente desnecessário. As distâncias não são tão grandes entre uma atração e outra e o valor pago pode encarecer – e muito – a viagem. Mesmo se você estiver com idosos, dê preferência aos táxis.

3) Hospedagem

a) Hotéis
Para quem procura conforto e quer evitar estresses desnecessários, recomendo fortemente hospedar-se em um dos inúmeros hotéis existentes em BA. Como ponto de partida, sugiro bairros como Recoleta ou Retiro. Estes são colados no Aeroparque (AEP) e são centrais, facilitando a ida a qualquer outro bairro. Muita gente fala do bairro Palermo, na porção noroeste da cidade. Concordo que seja muito bonito, arborizado e com um ar nobre. Em razão disso os preços são mais altos e o gasto com táxis será acima do esperado.

b) Apartamentos
Neste viagem fizemos uso do serviço oferecido pela ByT Argentina, um dos vários sítios que oferecem acomodação na cidade. O sistema de busca de apartamentos é bem fácil e o nome dos imóveis é dado de acordo com as ruas aos quais ele se situa. Fica ótimo para localizar-se no mapa. O atendimento é muito receptivo e com garantia de retorno. Quanto aos apartamentos, há quem goste de mais luxuosos e há quem prefira os mais simples. Há duas modalidades de locação: semanal e mensal – mais um motivo que reforça a duração da viagem em 07 dias. A cobrança é feita em moeda americana (UDS) e você deve pagar, no momento da locação, quando há a entrega das chaves, o valor completo e duplicado do aluguel. A parte duplicada refere-se a uma caução para eventuais danos. Ou seja, se o valor da semana é de US$ 300.00 você deverá pagar US$ 600.00. Contudo, quando devolver o apartamento receberá os US$ 300.00 de volta – se estiver tudo certo no apartamento e poderá gastá-lo no DutyFree.
Recomendo os apartamentos quando se está entre amigos, com um grupo maior. Lembre-se que todos deverão ajudar nas tarefas domésticas, como arrumar camas, zelar pelo banheiro, preparar café da manhã e/ou outras refeições e manter um aspecto organizado. É bom pensar nisso antes, caso contrário o hotel acaba sendo a melhor opção – ainda que mais caro.

4) Alimentação

Os argentinos se alimentam de maneira bem semelhante aos brasileiros – especialmente quando comparamos com outros países como os Estados Unidos. Eles possuem, definitivamente, uma das melhores carnes vermelhas do mundo. Desde o corte até o ponto de cozimento, tudo é magnífico. Se você é vegetariano, não fique triste, há incríveis opções gastronômicas. O preço dos pratos é muito convidativo, especialmente porque a cotação encontra-se, em média, com R$ 1,00 valendo ARS 2,50 a ARS 3,00, dependendo do local. Recomendo, fortemente, alguns lugares:
– Té Mataré Ramirez, conta com comida internacional e afrodisíaca;
– Parrilla Punta Recoleta, em frente ao cemitério da Recoleta. A carne é espetacular;
– Porto Pirata, calles Marcelo Alvear e Reconquista. O frango empanado é maravilhoso;
– Sushi Club, em muitos lugares da cidade, mas fomos ao do Porto Madero;
– Hard Rock Café, para aqueles que não moram em Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou Porto Alegre;
– Sorveteria Freddo (qualquer lugar);
Brunch de qualquer um dos dois restaurantes: Four Seasons (no Hotel, calle Cerrito) ou Alvear (dentro do Alvear Palace Hotel);
– Havanna, espalhada em diversos cantos da cidade. Tomar um café com doce de leite e comer um alfajor é sensacional.

5) Atrações turísticas

a) Tradicionais
Como BA é bem grande e possui muitos monumentos históricos e turísticos, montei um arquivo anexo, com 9 páginas, relacionando cada bairro a ser visitado, os principais pontos que devem ser vistos e apreciados. Contudo, considero como visita obrigatória os seguintes lugares: Congreso de La Nación, Casa de Gobierno (Casa Rosada – aos sábados a entrada é franca), MALBA Museo de Arte Latinoamericana, Biblioteca Nacional, Museo Nacional de Bellas Artes, Cementerio de la Recoleta (acho mórbido), Palacio de las Águas Corrientes, Teatro Cólon, Obelisco, Caminito de La Boca, Jardín Japonés (especialmente em épocas frias).

b) Comerciais
A calle Florida é uma das grandes atrações de compras em BA. Realmente, é possível encontrar coisas muito boas por lá, com preços bem melhores que os praticados no Brasil. Para quem gosta de sapatos a infinidade de lojas e preços é incrível. Há as famosas roupas de couro que valem a pena. Contudo, quem já foi para Miami ou Orlando e conheceu os famigerados Outlets pode ficar decepcionado. Mesmo assim, recomendo comprar lembranças aos familiares e amigos, além de procurar muito. Sempre se acha uma loja com preços muito baixos – tem que bater perna. O Mercado de San Telmo ainda é famoso pelas suas antiguidades e vale a pena dar uma conferida.

c) Exóticos
Um dos passeios que me impressionou bastante foi no Zoológico de Lujan (sítio). Usamos um ônibus que sai da Plaza Italia, linha 57, a meros ARS 10,00, em direção à província de Lujan. São quase 02 horas de viagem, que podem ser reduzidas com outros meios de transporte, como táxi ou empresa de van (Fabebus). Como estávamos com o dia livre resolvemos pegar o ônibus por ser mais em conta. A entrada do Zoo custa ARS 100,00 e dá direito a todas as atrações. Obviamente que fomos lá para ver tigres e leões, não somente por serem incríveis, mas porque podíamos entrar na jaula e tocá-los. Evidentemente que as seções de fotos são imprescindíveis. Ficamos tristes com a situação do Zoo, que estava em péssimo estado de conservação, com mal cheiro e animais bizarros por toda a parte. Ainda assim, a sensação de tocar um leão, ser abraçado por uma leoa e tocar em filhotes de tigres é impressionante e vale a pena.

d) Vida noturna
Buenos Aires conta com inúmeras atrações para quem gosta de agitos à noite. Para se começar a noite, eu recomendo o bar/restaurante Down Town Matias, que fica na esquina da calle Viamonte, em frente à Universidade de BA. É melhor ficar fora do prédio, por conta da música alta. Os pratos servidos são deliciosos e servem duas pessoas tranquilamente. BA é conhecida mundialmente pelos espetáculos de tango. Fuja de shows de tango oferecidos em teatros e até mesmo no Café Tortoni (um dos mais antigos de BA), pois podem chegar a ARS 400 por pessoa. Recomendo a Maldita Milonga (sítio), pois você aprende a dançar ao som de uma orquestra incrível! Acontece às quartas-feiras e custa ARS 25,00 por pessoa, já inclusa a aula de tango das 21:00 às 22:30 horas. Depois o salão é aberto a orquestra El Afronte continua tocando. Melhor comer antes porque as empanadas acabam cedo.
Outro ponto interessante fica na Plaza Dorrego, em San Telmo. Os bares dos arredores enchem a praça de mesas e oferecem shows gratuitos de tango aos clientes. Se quiser provar uma provoleta no bar Drusila, recomendo.
Agora, se você quer indicação de algo mais picante e agitado, recomendo o bar/restaurante Inside, que fica na calle Bartolomé Mitre, após esquina com a Montevideo. As carnes de lá são extremamente deliciosas. O restante da atração eu deixo como surpresa.

6) Custos

A relação custo/benefício em Buenos Aires é excelente. Em termos de moeda, tanto faz levar Real (R$) ou Pesos Argentinos (ARS), porque ambos são aceitos. Como falei anteriormente, considero interessante levar bastante pesos para os táxis, metrô, pequenos lanches e casas de lembranças que não aceitam cartão de crédito. Só recomendo levar moeda americana (USD) em último caso – além daquele usado no ByT, caso hospede-se com eles. Mas, quanto por dia? Depende muito dos passeios, mas, como visitas externas e fotos são gratuitas, reserve os gastos para almoços e jantares. Considero uma quantia razoável ARS 200,00 por dia (equivalente a R$ 100,00/dia). Esse valor dá margem para almoços e jantas (sempre bons), além de lanches e entradas em atrações.

Em post futuro colocarei algumas fotos que tirei nos passeios, junto com um passo-a-passo diário do que visitar. Rejeito a ideia de ter roteiros prontos, ainda que sejam excelentes, porque você pode se sentir engessado e preso. Querer seguir uma rotina preestabelecida pode comprometer a curtição da viagem. O ideal é ler material suficiente para montar o seu próprio roteiro. Além disso, quando montamos o roteiro temos domínio total para alterá-lo, caso aconteça algo indesejado/inesperado.

A Argentina não se limita, obviamente, a Buenos Aires. Ainda assim, é complicado conhecer 100% da cidade em uma única visita – especialmente se essa for a primeira. Sendo assim, não se frustre se você não conseguiu seguir um roteiro à risca e se você perdeu um ou outro passeio. Serve como desculpa – bem positiva, é claro – para que você volte à cidade e possa desfrutar do que não conheceu e, certamente, relembrar ótimas experiências pela segunda vez.

[Data da última atualização: 22/06/2012]

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