DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Sobre fama e assédio

Recentemente um burburinho repercutiu na internet sobre o possível lançamento do livro biográfico de Cláudia Leitte, com apoio da Lei Rouanet (nº 8.313/1991). A primeira reclamação que percebi foi sobre a cantora, dançarina e apresentadora não precisar da verba de R$ 365 mil para lançar o livro. Bem, ela realmente poderia abdicar do valor, mas a lei permite o uso do dinheiro público. Logo, qualquer cidadão pode usufruir do benefício após apresentar seu projeto para apreciação.

Posteriormente, a própria mãe de Cláudia Leitte foi às redes sociais pedir que parassem de perseguir sua filha, cuja única intenção é “levar alegria, felicidade por alguns momentos”. E ela, como mãe, tem total direito de fazer esse pedido.

Trago essa situação ocorrida envolvendo a cantora para ilustrar como o assédio a pessoas públicas tem seu preço. É comum, inclusive, o pensamento de que os famosos deviam estar preparados para isso e, portanto, que não deviam se importar.

Mas será que deve ser assim? No fim de 2015 foi lançado o documentário Amy, sobre a cantora Amy Winehouse, dirigido por Asif Kapadia. A obra demonstra, com grande facilidade e incrível competência, o quão difícil foi para a cantora suportar o assédio dos fotógrafos e das mídias. E não há muito o que fazer sobre isso. Os famosos estão sob holofotes e é natural que haja atenção por parte dos fãs e até mesmo por parte de quem não nutre simpatia por eles.

Todavia, acredito que algumas pessoas estejam perdendo a mão no assédio. É natural desejar acompanhar a vida do artista, saber o próximo filme no qual atuará, se lançará uma nova música, uma nova turnê de um show e etc. Essa é uma das funções naturais do jornalismo e até mesmo de alguns fãs. Entendo que não há regra definida, mas a invasão de privacidade está passando de limites morais e/ou éticos.

Em tempos de Big Brother Brasil (BBB), o jargão “quem não quer exposição não entra na casa” cabe como uma luva. Quem não gostaria de ter sua vida revelada não deveria nem cogitar participar do programa. Contudo, isso permite que pessoas tragam à tona situações realmente íntimas de participantes e – extrapolando o assunto para fora da casa – de artistas famosos. Também acho preocupante o nível de perseguição diária, chegando ao ponto de impedir que artistas possam passear na rua, ir a um shopping ou a qualquer lugar sem que sejam abordados por alguém. Aliás, já temos a exposição por intermédio das redes sociais dos próprios famosos, que levam bastante informação aos seus seguidores.

Por fim, falta bom senso e, principalmente, cortesia da mídia e do público ante ao seu artista famoso. Quer me parecer, também, que faltam bons profissionais na definição e seleção de matérias de jornais e programas de televisão. Qualquer novidade sobre um famoso deve ser obtida a todo e qualquer custo. Quanto mais à vontade alguém ficar, melhor será para o convívio público. Do contrário, teremos artistas que chegam ao ponto de pedir para alguém na plateia sentar-se e ficar quieto ou mesmo usar da força dos seguranças para retirar alguém do palco.

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Publicado às 21/02/16 por em Reflexão e marcado , , , , , , .
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