DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Publicação obrigatória

Internet: jornais, portais, blogs, vlogs, fóruns e, principalmente, redes sociais. É impressionante a quantidade de fontes de informação atualmente. Vive-se um momento de incrível liberdade de expressão, ainda que não haja o devido alcance em todos os países do mundo – pelo contrário, há muita restrição por aí. Todavia, para aqueles que podem usar e abusar do direito da expressão, fica óbvia uma situação: a crescente necessidade de expressar-se, de opinar-se, de alguma forma.

Há informações de notícias escritas desde a Roma Antiga e também nas Dinastias Chinesas. Contudo, o primeiro jornal impresso data de 1605, por Johann Carolus, em Estrasburgo. Posteriormente, em 1906 se tem notícia das primeiras transmissões de rádio, nos Estados Unidos. Somente entre os anos de 1930 e 1940 que tivemos as transmissões via televisores. Independentemente do meio citado, percebe-se uma coisa em comum: o espectador recebe a informação de forma passiva. Não há qualquer interação com o espectador, pois ele é mero assimilador de conteúdo.

A partir do momento em que as pessoas foram convidadas a interagir com o meio de comunicação as coisas tomaram outro rumo. As empresas tiveram de preocupar-se, criando Serviços de Atendimento ao Consumidor (comumente conhecidos apenas como SAC), e tantos outros serviços. Aquele que antes estava sentado no sofá poderia comunicar-se com o outro lado, finalmente. A dúvida, a sugestão, o elogio ou mesmo uma crítica agora poderia ser avaliada do outro lado.

Em tempos de inúmeras redes sociais, fica difícil acompanhar todas as publicações. Mais que isso, torna-se uma tarefa árdua saber escolher qual site entrar, qual matéria ler, qual vídeo assistir ou qual podcast ouvir. E como se a dificuldade terminasse aí, ainda há outra parte: a réplica. Em que pese o benefício da abertura de espaço para a entrada de opiniões, há que se ressaltar a enxurrada de informações desnecessárias e que não acrescentam valor à informação adicional.

Não rejeito o princípio da liberdade de expressão, de forma alguma, tanto que estou aqui escrevendo a minha. Preocupa-me, apenas, a pressão que a mídia e os serviços online estão exercendo sobre os usuários. Há várias formas de interação, de acordo com a mídia em si (curtir, compartilhar, favoritar, comentar, entre outros) e as mídias acabam exagerando na dose de como os usuários podem utilizar o serviço de forma “apropriada”. Contudo, percebo também que é extremamente difícil regular o comportamento dos usuários, senão impossível em alguns casos.

O Facebook, por exemplo, permite ao usuário limitar o nível de interação de outras pessoas em sua página pessoal, ou seja, quem poderá visualizar, comentar e até incluir postagens na linha de tempo. Outras redes também permitem um controle maior ao usuário, mas, no fim das contas, não há como regular ou moderar o que os usuários escrevem. Tal  situação me traz recordações de épocas em que frequentei muitos fóruns e lá haviam usuários que administravam o ambiente, de forma a controlar as postagens alheias – isso se dava principalmente para evitar que pessoas criassem tópicos que não estavam alinhados às diretrizes do fórum e também para impedir formas de violência entre os usuários.

Parece-me que algumas pessoas sentem-se não apenas convidadas, mas forçadas a se manifestar, sem se darem conta do que escrevem, ficando expostas às críticas alheias e, em alguns casos, permitindo que a situação extrapole os limites da internet e prossiga em delegacias de polícia. Quando a publicação envolve assuntos como política ou religião os comentários podem ser os mais diversos possíveis – e, a priori, isso não devia ser algo ruim. O problema começa quando as pessoas não respeitam a opinião alheia e incendeiam as discussões quando tecem seus comentários. Ademais, se esquecem que possuem família e profissão e que tudo isso pode estar em jogo.

Portanto, deve haver um mínimo de cuidado quando se pensa em comentar algo na internet:

  • necessidade e relevância: o que você pensa em escrever é necessário, ou seja, acrescentará algo diferente ao debate e tem a ver com o assunto? Comentar por comentar passa uma impressão que você só quer aparecer, sem se preocupar efetivamente com o que está sendo colocado;
  • conteúdo e forma: preocupe-se menos com a rapidez na réplica, isto é, reveja as palavras e se há possíveis erros de ortografia ou concordância. Não precisa ser um tratado de história, nem um parecer jurídico, mas vale a pena que a escrita esteja correta;
  • demonstre respeito: as discussões permitem o confrontamento de ideias opostas e semelhantes. Saber ouvir os locutores e ter a devida calma na hora de apresentar a sua opinião sobre o assunto é algo primordial. Ninguém é obrigado a concordar com o outro, mas respeito é fundamental.

Embora você queira possa ter opinião sobre várias coisas na vida, você não é obrigado a comentar tudo que lê ou vê na internet. Tendo bom senso e considerando-se esses pontos é possível haver bons debates nas diversas redes sociais, especialmente porque isso possibilitará abrirmos nossa mente e conhecermos culturas e pensamentos diferentes.

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2 comentários em “Publicação obrigatória

  1. Junnior
    30/08/15

    Me assusto um pouco com a falta de senso de algumas pessoas ao postar algo na internet, principalmente no Facebook. Já fui pego de surpresa com declarações de pessoas próximas sobre certos assuntos que claramente o ser não entendia nada, e tratava como se fosse expert e ainda era aplaudido (no caso da internet recebendo likes) em que eu só conseguia sentir vergonha alheia. Acho que todo mundo tem direito de expressar sua opinião, desde que conheça o assunto ou pesquise sobre.

    Parabéns pelo texto. Estava procurando seu blog esses dias quando voltei com o meu, mas só lembrava do divagações e não do doce no nome. 8D

    • Marcos Perini
      01/09/15

      Junnior, obrigado pela resposta! É sempre bom receber feedback! E concordo com o que você disse, falta bom senso ao expressar opiniões. Quem sabe um dia isso seja pacificado. Volte sempre. =]

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Publicado às 30/08/15 por em Reflexão e marcado , , , , , , , , .
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