DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Ando meio desligado

Esse é o título da matéria escrita por Rafael Tonon para a Revista a Bordo, da Gol – Linhas Aéreas Inteligentes. Um tema bem atual e de extrema relevância. A humanidade avança de forma incrível, tecnologicamente falando, mas parece padecer de retrocesso sentimental no que diz respeito ao bom senso no uso das redes sociais e dos inúmeros aplicativos existentes para os smartphones.

Não tem como não se sentir exausto com a enxurrada de informações a que somos expostos todos os dias. Se antes bastava desligar o computador para se desconectar, hoje as tecnologias portáteis nos tornaram quase escravos dos feeds, dos e-mails, das notificações. No celular e, muito em breve, nos óculos e no relógio, somos alcançados onde estivermos. “Nós recebemos mais informações do que podemos absorver”, afirma o diretor do Centro da Indústria de Informação Global, na Universidade da Califórnia, Roger Bohn. “As novas gerações já estão sendo criadas com seus smartphones nas mãos; é algo irreversível.” Só no Brasil, para se ter ideia, há 1,3 celular para cada habitante, de acordo com a Anatel. Ficamos tão imersos na vida digital que prestamos menos atenção à nossa volta.

O dono de um restaurante em Nova York fez um post anônimo no site Craigslist em que conta como investigou as reclamações de morosidade que seu estabelecimento estava recebendo: contratou uma consultoria, que comparou as imagens das câmeras de segurança de 2004 com as de 2014. Com celulares para distraí-los, os clientes demoravam para escolher entre os pratos do cardápio, além de atrasar em cerca de 20 minutos o tempo entre finalizar a refeição e pedir a conta. Eles ainda tinham a ilusória percepção de que o restaurante é que demorava a trazer a comida e nove em cada 45 clientes pediam para reaquecer seus pratos, que esfriavam enquanto os comensais fotografavam e teclavam em seus aparelhos. Mas por que não desgrudamos do celular nem na hora de comer?

Profissionais de psicologia já deram um nome a essa compulsão moderna: Fomo, sigla de fear of missing out, traduzindo, o “medo de ficar por fora”. Um artigo do The New York Times descreveu a síndrome moderna como “um misto de ansiedade, inadequação e irritação que surge quando se está por fora das mídias sociais”. A sensação generalizada é a de que estamos sempre perdendo alguma coisa: da atualização de um amigo ao novo meme do momento. Mas às vezes é preciso perder para ganhar.

A especialista em coaching Mariana Cottini afirma que precisamos nos desligar das redes sociais e das tecnologias não por um período, mas todos os dias. Ela costuma receber executivos que perdem produtividade por falta de foco no dia a dia. “Todos eles passam tempo demais conectados”, diz. Além das horas que ocupam, as redes sociais também são fontes de interrupção. “Fica difícil para qualquer um terminar um trabalho com o celular apitando toda hora”, afirma Mariana. O resultado, segundo ela, são pessoas angustiadas por nunca darem conta de suas tarefas. O neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vai além: “A constante interferência fragmenta o raciocínio e impede a elaboração de pensamento mais complexos. Manter esses equipamentos perto da cama deixa as pessoas na espera de ‘novidades’ mesmo quando estão dormindo ou tentando dormir, o que superficializa o sono. É uma doença moderna e ainda não estamos conscientes disso.”

Pode parecer estranho que justamente um blog que está na internet queira tratar de um assunto desses, para que as pessoas se afastem de seus aparelhos. A ideia, contudo, é justamente oposta. Apresento o assunto para que as pessoas possam dar conta do quão conectadas estão e avaliarem, com o devido bom senso, o quão benéfico ou prejudicial isso pode representar em suas vidas. Não deixem de postar uma foto legal de um país interessante, mas também aproveitem esse tempo enquanto viajam. Façam com que as memórias não sejam apenas virtuais.

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Publicado às 30/03/15 por em Reflexão e marcado , , , , , , , , .
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