DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Qual sua utilidade?

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Foi numa noite belíssima e com um incrível luar que tudo começou. Como num piscar de olhos, houve a união entre o espermatozoide e o ovócito, ocasionando a formação do zigoto. Uma estrutura relativamente simples, mas ao mesmo tempo muito complexa, capaz de gerar uma nova vida. Após nove meses surge um ser humano. Uma criança indefesa, que necessita de suporte e apoio ininterruptos de seus progenitores. Assim foi feito. De bebê, tornamo-nos crianças. Espertas, curiosas, ávidas pelo saber. O despertar do conhecimento que não sacia, nem mesmo com as mais complexas explicações.

Na adolescência somos destemidos. Acreditamos que o mundo não é só a casa de nossos pais e que há muito mais para ser conquistado. Há muito mais para conhecer, para se contestar e até mesmo para dominar. Não podemos ficar à mercê das vontades de nossos pais. Tornam-se ditadores de regras, reguladores de tarefas e opositores do nosso pensamento. Não podemos nos expressar. Não podemos ir contra às religiões, tampouco contra à política vigente. Se aprendemos desde pequenos a questionarmos com um mero “por quê?“, qual a razão para que não possamos repeti-lo inúmeras vezes?

Com o passar do tempo, superamos mais uma etapa, ainda que com algum membro do corpo quebrado e a alma calejada por situações indesejadas nesse embate parental. Chegamos à fase adulta e percebemos que estamos num patamar bem diferente do que almejávamos – ou pelo menos esperávamos estar. Nossa visão de mundo é diferente e conflitante com aquilo que em outrora tínhamos em mente. Resta-nos seguir adiante, com a memória ativa sobre tudo aquilo que aprendemos nas aulas de História e em diálogos familiares (por muitas vezes enfadonhos). O mundo é nosso, ainda assim. Somos administradores de uma nova era, para que possamos deixar nosso legado às gerações futuras. Organizam0-nos. Construímos sonhos. Lutamos e combatemos nossos inimigos. Aniquilamos civilizações. Destruímos sonhos. Conquistamos terras e mais terras. Desenvolvemos pesquisas e criamos invenções jamais pensadas. Usamos os recursos providos pela natureza de maneira ordenada, mas também de forma caótica, sem qualquer planejamento.

E, sem que pudéssemos perceber, o tempo novamente passou. Deliberadamente, tiraram-nos de nossos trabalhos. Aposentaram-nos de maneira mandatória e cruel, sem qualquer amparo, sem defesa por nossa parte. Sem oferta final. A nós, restaria o conforto de nossos lares e o afável convívio familiar. Contudo, somos privados disso também. O que uma família dita completa iria querer com um ser humano velho e inábil? Alguém que precisa de vigília constante, de medicações, de cuidados com higiene e alimentação? Sem contar em todos os passeios aos médicos, clínicas e hospitais. Claro, um velho não pode sair para ir a parques, shoppings centers ou shows. Viajar, jamais. Os altos custos não compensam; na realidade aumentam o trabalho dos familiares.

Quando se atinge determinada idade, o ser humano é capaz de praticar um mal a outro ser humano que desrespeita e confronta diretamente todas as leis que discorrem sobre o amor, a afeição, a demonstração de carinho e zelo para com o próximo. Para alguns, envelhecer é perder a utilidade. É viver sob clausura, à mercê dos cuidados de outrem. Isso, felizmente, quando há quem queira lidar com pessoas que estejam nessa etapa da vida.

Comparam ações daqueles com certa idade com ações praticadas por crianças. Mas, seria certo tratar alguém que tanto fez para o bem estar de seus familiares, e quiçá da sociedade, como um infante que mal sabe o que é viver? Que não teve qualquer experiência de vida destes que acolhemos como avós e bisavós? O ser humano consegue ser frio o suficiente para tratar com desprezo e total falta de respeito aqueles que lutaram por um futuro melhor para as próximas gerações.

Contudo, a natureza é sábia. O tempo encarregar-se-á de envelhecer todos aqueles que foram bons ou maus; belos ou feios; impávidos ou medrosos; importantes ou desconhecidos. O que antes tinha serventia, tornar-se-á inútil perante os mais novos e, certamente, os mais capazes de continuar girando a imensa engrenagem que mantém viva a sociedade. E que não reclamem do tratamento recebido; é apenas o reflexo das ações praticadas com seus ancestrais.

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