DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

C02P01. Não posso conhecer você

Doces Divagações

Já faz algum tempo que lhe conheci. Foi algo totalmente casual, bem sabemos. Ambos estávamos navegando pela Internet, vendo informações interessantes, banais e até mesmo tolas. Eis que numa determinada rede social deparei-me com seu perfil. Achei diferente, peculiar. “Bem, é mais um ser humano neste imenso e vasto mundo“. Enganei-me. Tive de pular para outra aba do navegador, a fim de responder um tuíte que um amigo acabara de enviar. Em pequenos momentos é que grandes acontecimentos acontecem. Já era tarde e, ao deparar-me com os ponteiros do relógio, saltei em direção à cama, na tentativa de minimizar os efeitos posteriores pela falta de sono. De um sono bom, diga-se de passagem.

No dia seguinte, após longas e cansativas horas de trabalho refugiei-me na fortaleza dos meus aposentos. Voltando à velha rotina de ler e-mails, procurar ofertas em sites de compras, comentar alguma citação no Facebook e verificar o saldo bancário, deparei novamente com seu perfil. Já dizia o ditado “coincidências não existem, apenas o inevitável“. Resolvi observar mais detalhadamente e não pude evitar: apreciei o que vi. Não. Acredito que não foi amor à primeira vista. Até porque essa situação está ficando cada vez mais escassa neste ambiente virtual. Minimamente, comecei a seguir seus posts e seus comentários. Em outras palavras, estaria praticando uma ação “stalker“.

Com o passar do tempo, acabei conhecendo um pouco mais sobre você e resolvi fazer o primeiro contato, adicionando-lhe às minhas redes sociais. Em menos de um mês de “análise” você já fazia parte de um círculo de minha vida. Então, inesperadamente, você retribuiu. Espantei-me e tive um surto duplo: de felicidade e de tristeza. O que faria agora? O que seria adequado? Qual o comportamento esperado? Ninguém poderia responder minha angústia e limpar minha mente de todos os pensamentos insanos. Bem, entre eles havia alguns racionais. Pelo menos foi assim que agi. Com a devida calma. Externamente, óbvio.

Após algumas semanas nosso contato havia se tornado bem mais concreto. Conhecíamos e compartilhávamos gostos musicais, cinematográficos e gastronômicos. Discutíamos, igualmente, cada ponto destes assuntos, uma vez que nem sempre concordávamos com a posição do outro. Percebíamos afinidades em muitos aspectos, ainda que houvessem divergências pontuais sobre determinados temas. O importante: aprofundávamos cada vez mais nessa relação de amizade, cujo futuro era incerto e indefinido. À medida que nossas conversas se ampliavam, juntamente com nossa amizade, acresciam-se os meios pelos quais mantínhamos contato.

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Definitivamente, estávamos cada vez mais próximos. Qual seria o próximo passo? Naturalmente, o contato físico. O primeiro. Aquele que definiria “nosso futuro”. De repente, uma sensação gélida percorreu meu corpo. Não fazia ideia da minha reação ao lhe encontrar pessoalmente. A dificuldade de sair do comodismo construído conversa após conversa acertou minha mente em cheio. Estava acostumado com a sensação de ansiedade – quase mórbida – ao esperar para falar com você. Havia, com certa razão, habituado-me ao ouvir a notificação do Whatsapp alertando-me que você havia me mandado uma mensagem.

O que eu faria com essa paixão platônica que houvera delicadamente moldado aos padrões que tanto desejava, como se fosse um bonsai digno de grande prêmio? Não, não estava certo. Eu tinha que manter tudo assim, como se não pudesse mudar nunca. E se você não gostasse de mim? E se você me descartasse como um objeto qualquer, como certas pessoas outrora fizeram? Não posso correr o risco de lhe perder, pois lhe desejei assim para mim. Quero nossas conversas diárias e nossas risadas soltas. Nossos diálogos sérios sobre a política e sobre a complexidade humana. Ou sobre o pastel de queijo daquela famosa feira.

E, pensando assim, cheguei à seguinte conclusão: para manter-lhe sempre comigo, não posso conhecer você.

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Um comentário em “C02P01. Não posso conhecer você

  1. Mr. Caldeira (rs)
    15/01/14

    Indentifiquei-me em diversos pontos. Tenho vários contatos que funcionam tão bem virtualmente e que nunca chegaram a ir para o mundo “real”. Com você não foi diferente. Mas que bom que é possível nutrir carinho virtualmente, pelo menos na minha visão. Adorei o texto!

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