DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Preconceito, por quê?

Há algum tempo venho pensando em redigir um texto que trata sobre algo um tanto quanto polêmico: o preconceito. Mas, antes de abordar o assunto, trarei o significado do vocábulo, como tenho feito habitualmente.

Preconceito. [Do lat. praeconceptu] S.m. 1. Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. 3. P. ext. Superstição, crendice; prejuízo. 4. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.

A polêmica em torno deste tema é grande porque dificilmente alguém aceita ou reconhece que possui preconceito sobre determinada situação. Para complicar mais, mesmo que a pessoa reconheça e identifique o preconceito, não o vê como tal e fatalmente não exercerá qualquer força para mudá-lo. E quão difícil é modificar o pensamento sobre um conceito já existente, arraigado e perpetrado por gerações a fio? Muito.

Em primeiro lugar, a sociedade segue regras estabelecidas por determinados pilares, formados por leis (do contrário é possível que tivemos o caos), religiões e cultura de cada região. Acontece que, falando friamente, muito desses pilares foram criados e são mantidos pelo homem. O que temos atualmente é fruto da repetição de costumes, hábitos e crenças, sem esquecer, obviamente, a evolução existente. A História é capaz de provar, com diversos fatos, como o ser humano progrediu em diversos aspectos, porém se mantém inerte em outros. E em segundo lugar, e não menos importante, por mais fortes que sejam as influências e imposições externas, não há nada que permita a remoção de qualquer preconceito do que a própria vontade do indivíduo.

Percebe-se que o preconceito começa dentro dos lares, é ampliado nas instituições de ensino e posteriormente consolida-se na sociedade. Do julgamento prévio de uma situação sem ao menos tentar entendê-la nasce a hipocrisia: total impostura, fingimento, simulação, falsidade. E é incrível quando paramos para observar os indivíduos numa sociedade e percebemos o quão divergentes, mas ao mesmo tempo equânimes, são determinados pensamentos. Tornou-se comum a prática da rotulação, que representa a qualificação simplista, geralmente feita por meio de chavões.

A prática do preconceito vai além da raça, da cor, do sexo e do credo. Chega a mínimos detalhes, muitas vezes atingindo questões de foro íntimo, permitindo a aplicação de rótulos por outros que se sentem incomodados. Algo ainda pior é o preconceito velado, cuja reprovação aparece no olhar do ser preconceituoso que quer atingir seu alvo. Há quem sofra por alguma condição física, como usuários de óculos, aparelhos ortodônticos, que sejam cadeirantes ou portadores de deficiências físicas e/ou mentais. Há também aqueles que sofrem por seus gostos, como heterossexuais, homossexuais, transexuais, nerds, geeks, baladeiros, fumantes, adoradores de bebidas alcoólicas, participantes de realities, profissionais de artes, músicas e dos meios de comunicação e televisão, etc. Na realidade, a presente divisão (e suas subdivisões), nada mais é que uma rotulação, ou seja, a existência de preconceitos na tentativa de classificar os seres, dividindo-os dos demais indivíduos da sociedade. Quem não viu uma mãe afastar sua criança de algum cadeirante, de um casal de homens ou de um grupo de fãs de rock? “Não quero isso para meu filho” – pensam para si. O homem tem a obrigação social de ser o “pegador” enquanto jovem, casar-se com a mulher mais bela, manter o matrimônio com pitadas de relações extraconjugais e educar filhos aos seus moldes, para que perpetuem seu comportamento pelas demais gerações. Já a mulher deve ser devota ao relacionamento com o marido, à manutenção da casa e aos filhos. E só, sem qualquer questionamento ou alteração da “regra social”.

preconceito dentro da escola
As mudanças levam tempo para ocorrerem e dependem, exclusivamente, da vontade de cada indivíduo. Contudo, informação e conhecimento são imprescindíveis para que sejam feitas. Confesso que já tive preconceitos sobre determinados assuntos, justamente por falta de informação. No entanto, quando há esclarecimento sobre situações ou assuntos que podem não ser triviais às nossas vidas, a janela do entendimento se abre em nossas mentes, permitindo a compreensão de qualquer coisa. Mesmo que não haja aceitação do ato ou fato, o entendimento por si só permite o respeito, fator essencial para qualquer relação social.

É difícil mudar o pensamento daquele que não possui consciência de ser preconceituoso. Neste aspecto, a mídia possui papel relevante para levar a informação adequada à sociedade. Porém, são seres humanos que controlam a mídia e, por tratar-se de um negócio, fornecem o rumo de acordo com o retorno desejado para os investimentos aplicados. Qualquer um deve, portanto, aumentar sua gama de fontes de informação, comparando-as para identificar e discernir o que está certo.

O principal disso tudo é: percebeu algo que lhe gerou desconforto, incômodo ou dúvida por não entender? Não rejeite e discrimine aquilo sem ao menos tentar entender. Pergunte a mais de uma pessoa, relatando o que viu, leu ou ouviu. Não se baseie por única opinião. Pergunte a seus pais, irmãos, amigo de confiança, colegas, professores, padre/pastor/etc de sua região, até para mim se quiser (e-mail).

Com o passar do tempo e com o incremento do conhecimento pelas pessoas acredito que os preconceitos irão diminuir muito, até o dia em que finalmente se acabem.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: