DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Reflexão: aceitar vs respeitar

Em meio a tantos movimentos que as pessoas têm feito não somente no Brasil, mas ao redor do mundo, refleti recentemente após uma discussão bastante proveitosa com alguns amigos sobre as diferenças existentes entre o ato de aceitar algo e o ato de respeitar algo – neste caso podendo ser determinada ação, pessoa ou comportamento. Para que uma análise possa ser feita trago os conceitos de dois vocábulos, como já é de praxe no presente blog.

Aceitar [Do lat. acceptare.] V.t.d. 1. Consentir em receber (coisa oferecida ou dada). 2. Estar de acordo com, concordar com; anuir a. 3. Conformar-se com. 4. Chamar a si; arrogar-se, atribuir-se. 5. Dar o crédito a; ter como bom, como certo, como verdadeiro; acreditar. 6. Assumir a obrigação de pagar (título de crédito) no vencimento, pondo nele o aceite. 7. Manifestar anuência a. 8. Consentir, concordar, anuir; admitir. 9. Admitir, reconhecer. 10. Admitir, tolerar, suportar. 11. Assentir em alguma coisa, concordar com ela. 12. Consentir em receber coisa oferecida ou dada.

Respeitar [Do lat. respectare] V.t.d. 1. Tratar com reverência ou acatamento; venerar; honrar. 2. Ter medo de; temer, recear. 3. Tomar em consideração; ter em conta; atender a; considerar. 4. Seguir as determinações de; cumprir, observar, acatar. 5. Não causar dano a, poupar. 6. Fazer justiça a; dar apreço a; reconhecer. 7. Suportar, aturar, admitir, tolerar. 8. Dizer respeito; referir-se, concernir, tocar. 9. Estar na direção; estar voltado. 10. Fazer-se respeitado; impôr-se ao respeito de outrem; dar-se ao respeito.

Desta forma, aproveito o ensejo para trazer o vocábulo respeito, que tem estrita ligação ao verbo. Respeito [Do lat. respectu]. S.m. 4. Lado pelo qual se encara uma questão; ponto de vista; aspecto. 5. Razão, motivo, causa. Faltar ao respeito a. Ser descortês ou inconveniente para com (alguém).

Para explicar em termos práticos a diferença básica entre essas duas ações, exemplificarei com algumas situações do cotidiano. Contamos com a existência hipotética de dois indivíduos: Cláudio e Daniela. Ambos se conheceram por intermédio de amigos em comum e, após determinado tempo de convivência, descobrem mais características em comum e algumas bem divergentes. E esse ponto é crucial na vida de ambos, pois refere-se à crença religiosa de cada um. Cláudio é católico e Daniela é ateísta. Os dois vivem no Brasil e, portanto, a crença religiosa é algo cultural e não pode ser descartada como um utensílio plástico em fim de festa. Cláudio não consegue entender como Daniela não acredita em um ser divino e superior e, desta forma, tenta impôr sua crença enquanto a amizade entre eles evolui. Já Daniela, por sua vez, não liga para o que Cláudio diz, justamente porque não se sente confortável com os dogmas pregados pelo catolicismo, tampouco por qualquer outra religião, mas entende e respeita a crença que Cláudio tem. Percebe-se, claramente, a não aceitação de Cláudio perante o fato de Daniela ser ateísta, chegando ao ponto de não respeitar sua decisão e impôr os dogmas que, para ele, são cruciais para qualquer ser humano.

Outra situação ainda existente (e que por sinal já presenciei), refere-se à intolerância às etnias. A mãe de determinada amiga minha tinha preconceito com orientais, em especial os japoneses. Já vi discussões na casa dela justamente porque ela havia trazido um namorado japonês. Uma situação terrível, pois ouviam-se frases como “eu não quero minha filha se relacionando com essa raça fria e sem sentimentos“. Na cabeça da mãe dela, a cultura japonesa era algo abominável, tornando as pessoas seres totalmente sem emoção. Ela não aceitava que a filha pudesse ter qualquer relacionamento com alguém assim. Isso acabava, obviamente, por fazer com que não houvesse qualquer respeito por parte da mãe dela por qualquer oriental que entrasse em contato com ela.

Em outro caso temos como exemplo dois amigos, João e Marcelo. Ambos se conhecem desde a época do colégio, o que faz com que a amizade seja realmente antiga. Em determinado ponto de sua vida, Marcelo começou a fumar durante as saídas com João e outros amigos. Neste momento, João chegou a conversar com Marcelo, perguntando porque teria feito isso, além de explicar os males causados pelo cigarro. Ambos conversaram e se entenderam, mas Marcelo disse que não pretendia, pelo menos naquela hora, parar com o hábito recém-adquirido. Mesmo sem aceitar o novo gosto do amigo, João respeitou sua decisão e ambos continuaram a amizade, sem qualquer dano.

Essas e e outras questões de cunho social podem gerar grandes problemas. Pais que não aceitam a homossexualidade de seus filhos, que não aceitam a escolha por um curso de graduação, que não aceitam a paixão por determinado time de futebol. Além do fato de não aceitarem, perdem a consciência e deixam de respeitá-los pelas escolhas que fizeram e pelo que são como pessoas. E quando se perde a razão as consequências podem ser trágicas – e geralmente são.

Em suma: ninguém é obrigado a aceitar o comportamento alheio, as decisões alheias e o modo como cada um escolheu para sua vida, observando-se obviamente as imposições legais, haja vista que vivemos em sociedade. Contudo, é obrigatório que haja o respeito ao indivíduos, independentemente das suas crenças, opiniões e características pessoais. Respeitar é ter a civilidade de entender o que se passa com cada um, entender as escolhas e, mesmo sem aprová-las, manter a cortesia mútua entre os seres.

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Publicado às 17/08/13 por em Reflexão e marcado , , , , , .
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