DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Quero entender

Quero entender…

Sim, quero entender quais pensamentos rondam sua mente e quais caminhos eles percorrem antes que você tome determinadas decisões. Queria estar nas fendas sinápticas, entranhado em suas profundezas como um caracol que permanece colado à sua concha espiralada, com o simples intuito de coletar o máximo possível de informações.

Não, não… eu sei que é uma tarefa árdua. Quase impossível, alguns poderiam afirmar. Contudo, a leitura de seu ínterim é algo que me agrada e muito desafia. Por vezes me vi subindo e descendo escadarias enormes, que me levaram a caminhos diversos, assim como um quadro de Escher. Um universo em preto e branco construído sob um alicerce sólido, cujas paredes frágeis não me possibilitavam avançar, sob a suspeita de que a configuração se modificasse ao menor toque. Sua estrutura é singular e permite que qualquer um se movimente de acordo com as prerrogativas por você impostas. Não é possível improvisar e tentar alternar trajetos, tal qual músicos que imprimem suas percepções na melodia dedilhada.

A cada estímulo recebido é possível perceber uma reação diferente. Seria factível determinar um padrão? Seria cabível antever algum de seus movimentos? Às vezes penso que sim, mas, sinceramente, acredito que não. Até porque não lhe enxergo como uma criatura qualquer, presa a um único e exclusivo modo de pensar e de agir. Quisera eu ter a capacidade telepática de captar os pensamentos alheios. Ah, doce ilusão. Realidade ou não, isso seria uma trapaça, fruto da mais alvissareira vontade em busca à verdade. Todavia, não pode ser assim.

Há que se ter essa fagulha que desperta o ínterim em nossos sentimentos, que aguça nossas vontades, que amplia o horizonte ante o desejo do desconhecido. Ah, este velho traiçoeiro, que instiga e nos enche de promessas vãs, aumentando nossa sede de querer. Torna-se, sem qualquer esforço, peça fundamental na vida das pessoas.

E se você pudesse um dia me perguntar de onde vem esse desejo súbito? O entendimento do desconhecido permite caminhar com segurança, sabendo onde há brechas, janelas abertas, abismos de sentimentos e até portas que levam à felicidade. Como já disse, as pessoas possuem respostas diferentes a estímulos distintos, ocasionando em formas igualmente singulares para processá-las e posteriormente tomar qualquer ação. A estas respostas, contudo, faltam o encadeamento lógico e coordenado do pensamento, com base em respeito mútuo dos seres envolvidos.

Acontece que, de acordo com os conceitos físicos da inércia, todos os corpos dotados de massa são conhecidos como preguiçosos e não desejam modificar seu estado de movimento: se estão em movimento, querem continuar em movimento; se estão parados, não desejam mover-se. A falta de respeito e compreensão dos seres faz com que determinados contatos não sejam estabelecidos com eficácia e eficiência. De maneira geral, algumas pessoas preferem evitar diálogos – tentando assim discorrer sobre situações que aconteceram (ou não aconteceram) – a esclarecer o óbvio. Se parece pouco, há quem consiga piorar a situação.

Mas este não é e nunca será meu propósito. Minha missão aqui vai muito além disso. Por isso, não tenho dúvidas, ainda quero entender.

Escher - Relatividade

Maurits Cornelis Escher (1898-1972) – Relativity 1953 Lithograph

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Publicado às 02/06/13 por em Reflexão e marcado , , , , .
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