DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Conhecendo Guillermo del Toro

E de tempos em tempos precisamos renovar nossas experiências cinematográficas, ora conhecendo artistas novos no ramo, ora revivenciando as sensações de outrora. E desta vez resolvi aprofundar-me na filmografia de Guillermo del Toro. De acordo com a Wikipedia, sua produção conta com mais 40 títulos, entre eles curta e longa-metragens, além de filmes que ainda entrarão em cartaz. Guillermo, nascido em 9 de outubro de 1964 no México, é diretor, roteirista, produtor e escritor. Estudou em Guadalajara no Centro de Investigación y Estudios Cinematográficos.

Guillermo del Toro

Conheci o primeiro trabalho de Guillermo com o filme Blade II, em 2004, e admito ter ficado impressionado, justamente porque o tema de vampiros sempre foi de meu interesse. Porém foi em 2006, com o Labirinto do Fauno que algo em meu cérebro foi desperto. Uma sensação muito semelhante ao ver filmes do Spielberg, pois, mesmo sabendo das diferenças de temas abordados por cada um, ocorre um encantamento praticamente transcendental. Já tinha visto muitos trabalhos de Guillermo, mas resolvi fazer uma imersão em sua obra, de modo que vocês possam conhecer um pouco dos filmes nos quais ele se envolveu, de alguma forma, e que pude encontrar e relatar aqui (ainda falta uma pequena análise de alguns, mas farei com calma posteriormente). Foram eles:

A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo)
El Espinazo del DiabloAos 12 anos de idade, durante a Guerra Civil Espanhola, Carlos é abandonado no decadente orfanato de Santa Lúcia, que é dirigido pela aleijada Carmen e pelo misterioso professor Casares. Além de ser recebido com hostilidade e violência pelas outras crianças e pelo cruel funcionário Jacinto, as escuras dependências da nova casa representam horror e mistério para o garoto. Até que ele recebe a visita do fantasma de Santi, um menino que foi brutalmente assassinado na instituição que implora alívio para seu tormento e, mais tarde, alerta para a iminência de uma desgraça. Por fim, o espírito pede a Carlos que execute sua vingança.
Análise: verdadeiramente, o filme é um clássico para todos aqueles que gostam de filmes de terror. Não por haver sangue escorrendo; não por haver espíritos que almejam vingança; não por haver crianças que possam correr amedrontadas com aparições noturnas; e sim, porque o tema é tratado com a naturalidade que o assunto exige, com a calma suficiente para que a trama evolua sem haver falhas ou quebras e porque os personagens souberam aproveitar o enredo e demonstrar tudo o que sentiram em seus atos e suas falas. A Espinha do Diabo transborda em simplicidade e consegue cativar o mais incrédulo dos seres. A maquiagem e os efeitos especiais são meros coadjuvantes, mas que permitem ao espectador sentir na pele o sofrimento alheio, sem que haja exageros. E a trilha sonora de Javier Navarrete simplesmente veste o filme. Ponto incrível pela inclusão do poema “Permanece a mi lado“, fragmento do poema “In memoriam A.H.H“, de Alfred Lord Tennyson, completo em 1849.
Blade II (Blade II)
Blade IIBlade é um ser meio homem, meio vampiro que é consumido pelo desejo de vingança contra os seres que atacaram sua mãe antes mesmo dele nascer e fizeram com que ele se tornasse o que é atualmente. Com isso, ao crescer Blade iniciou uma verdadeira cruzada pessoal para combater e eliminar os vampiros, mas agora uma nova raça mais poderosa chamada reapers, criada a partir de cruzamentos genéticos entre humanos e vampiros, ameaça eliminar ambas as raças. Visto isso, Blade se alia aos seus maiores inimigos para que, juntos, possam combater esta nova raça de seres.
Hellboy (Hellboy)
HellboyJá perto do fim da 2ª Guerra Mundial, os nazistas tentam eliminar seus inimigos usando magia negra. Uma das experiências feitas é a tentativa de invocar forças ocultas. Um deste rituais é interrompido pelas forças aliadas, que encontram um garoto com aparência de demônio e a mão direita feita de pedra, apesar do ritual não ter sido concluído. O garoto passa a ser chamado de Hellboy e é levado pelos Aliados. Sessenta anos depois, Hellboy agora luta pelo bem e é chamado quando um estranho fenômeno, possivelmente sobrenatural, acontece.
O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)
El Laberinto del FaunoEspanha, 1944. Oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Ofelia, de 10 anos, muda-se para a região com sua mãe, Carmen. Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes, jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. Além disso, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia descobre um labirinto que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo consequências para todos à sua volta.
Análise: Guillermo escreveu, produziu e dirigiu um dos melhores filmes de sua extensa filmografia. Em termos de contos de fadas, alguns diriam que este é uma versão de Alice no País das Maravilhas para adultos, em que pese o terror e a realidade unidos em uma fábula impressionante. Em meio à Guerra Civil Hispânica, o filme mostra a profundidade dos personagens em cada cena, em cada close. A mente perturbada do Capitão transborda em frieza, quer seja com simples agricultores que caçavam coelhos, quer seja com seus empregados. Percebe-se o nível de detalhes nas pequenas e grandes criaturas, em especial o Fauno e o devorador sem olhos que aguardava sua presa. O fim do conto é um mero detalhe, tamanha grandiosidade pela qual passa Ofelia, ao completar as 3 tarefas impostas a ela. A trilha sonora foi composta por Javier Navarrete, basicamente a partir de uma canção de ninar. Acho impressionante como ela se encaixa no filme, sendo ao mesmo tempo invisível e totalmente necessária.
O Orfanato (The Orphanage)
El OrfanatoFilme hispano-mexicano de 2007 e dirigido por Juan Antonio Bayona. Laura (Belén Rueda) é uma mulher que volta com sua família para o orfanato onde cresceu a fim de reformá-lo e abrir uma residência para crianças deficientes. Uma vez no lugar, o pequeno Simón (Roger Príncep), filho adotivo de Laura e portador de HIV, começa a deixar se levar por estranhos jogos que geram em Laura uma grande inquietação, e que deixaram de ser apenas diversão para se converterem em uma ameaça. À medida que Laura e seu esposo convertem o velho orfanato na casa em que serão recebidas crianças com problemas, uma série de eventos estranhos que a afetam, e especialmente a Simón, a obriga a buscar pistas do passado da construção que uma vez foi seu lugar de criança para tratar de explicar tudo o que ocorre.
AnáliseGuillermo foi o produtor executivo deste filme, fazendo com que a trama se desenvolva de maneira tranquila e envolvente, num tom sombrio, mas sem exageros de efeitos especiais, iluminação ou sons assustadores. A fotografia é impressionante, pois, mesmo assistindo 7 anos após seu lançamento, faz tudo parecer atemporal, o que certamente aumenta a tensão existente no filme. Há um quê de perturbador na inquietação da mãe de Simón. A trilha sonora, composta por Fernando Velázquez em 16 faixas, dá o ritmo certo ao filme. Edgar Vivar, já conhecido por interpretar o Sr. Barriga, encena um papel muito interessante no filme e bem diferente do tom humorístico que empregava em Chaves.
Diário dos Mortos (Diary of the Dead)
Diary of the DeadQuinto filme da sequência de filmes de zumbis, produzido em 2007 por George A. Romero. O filme mostra um grupo de pessoas da Universidade de Pittsburgh, que fariam um filme de terror para obter créditos para uma matéria. Acontece que essa situação está ocorrendo nas ruas, tornando-se uma epidemia zumbi. O grupo então resolve gravar, em estilo de documentário, cada momento em que procuram por suas famílias e tentam salvar suas vidas das criaturas já mortas.
AnáliseGuillermo colaborou neste filme com sua voz, atuando como radialista dos noticiários que informavam a situação dos zumbis nas ruas. Para minha surpresa, descobri que outras figuras célebres também ‘doaram’ suas vozes, como o Stephen King e Quentin Tarantino. Quanto ao filme, se tivesse visto quando do seu lançamento diria que a série The Walking Dead tirou muita coisa dos pensamentos de Romero. Parece terror do tipo B, mas há muita coisa interessante por trás do filme. Talvez as mortes não sejam tão exageradas quanto em outros filmes (especialmente os do Tarantino), mas quem disse que elas têm que ser? O filme permite a reflexão que há por trás das câmeras e do quão insensíveis os humanos podem se tornar ante a fatos escabrosos.
Coisas Insignificantes (Cosas Insignificantes)
Cosas InsignificantesFilme mexicano, que conta a história de Esmeralda, uma adolescente com uma obsessão incomum: ela coleciona objetos perdidos, esquecidos ou descartados e os guarda em uma caixa embaixo de sua cama. É a história dessas coisas insignificantes e das pessoas por trás delas, todos de alguma maneira incapazes de se conectar com quem mais amam. Esse objetos, dentro de uma caixa, representam tanto a ausência da comunicação como a sua possibilidade.
Análise: produção executiva de Guillermo, de 2008. A caixa com os objetos nada mais é que um mote para a estória, ao contrário de do filme “Everything is Illuminated“, de 2005, escrito e produzido por Liev Schreiber, que segue roteiro com pontos semelhantes. Um drama que comove, mas não o suficiente para nos debulharmos em lágrimas. É um filme calmo, com passagens engraçadas e algumas emocionantes. Incrível como o filme mostra as passagens da estória misturando passado, presente e futuro em cadência extraordinária, permitindo que nós acompanhemos a evolução das personagens sem que haja monotonia, haja vista que o filme trata de situações comuns, cotidianas, ou seja, de vidas normais. É um filme acima de tudo belo, tanto em termos de fotografia quanto de trilha sonora (composta por Leonardo Heiblum e Jacobo Lieberman). Sem fantasmas ou criaturas estranhas, Cosas Insignificantes permite uma reflexão singela, para que não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje mesmo.
Hellboy II: O Exército Dourado (Hellboy II: The Golden Army)
Hellboy II - The Golden ArmyHellboy, Liz Sherman e Abe Sapien seguem trabalhando para a Agência de Pesquisa e Defesa Paranormais. Apesar dos constantes avisos para não se expôr ao público, Hellboy permite que seja flagrado pela TV. Isto faz com que ele e a agência fiquem famosos, o que permite que ajam à luz do dia e sem se esconderem sempre. Para coordenar a nova fase da agência é chamado Johann Krauss, com quem Hellboy enfrenta problemas por não respeitar suas ordens. Paralelamente uma antiga trégua existente entre a humanidade e os filhos da Terra é rompida, quando o príncipe Nuada resolve reunir os fragmentos de uma coroa para trazer à vida o exército dourado, composto por máquinas assassinas aparentemente indestrutíveis.
007: Quantum of Solace (Quantum of Solace)
Quantum of SolaceJames Bond e M realizam o interrogatório do sr. White, responsável pelos eventos do filme anterior da série. Porém uma traição faz com que White seja morto. Para investigar o caso Bond parte rumo ao Haiti, onde conhece Camille, uma bela e perigosa mulher que possui ligações com Dominic Greene. Greene tem planos para a Bolívia, incluindo a deposição do atual governo, o que faz com que Bond entre em seu caminho.
Enquanto Ela Está Fora (While She Was Out)
While she was outFilmado em 2006 e lançado somente em 2008, Guillermo atuou como produtor executivo deste filme. É Natal e Della Myers, uma dona de casa comum, decide ir até o shopping. Ao chegar lá, ela se irrita quando precisa deixar o carro afastado e deixa um bilhete para um carro que ocupa 2 vagas. Dentro do prédio, a mulher fica ainda mais nervosa com a multidão e o barulho das compras de final de ano. Quando ela volta para pegar o carro, nota que ele está bloqueado. Ela vai ao encontro do motorista cujo carro que está bloqueando a sua saída e dá de cara com quatro arruaceiros. Passa então a ser caçada, chegando ao ponto de adentrar uma floresta. Lá, a caça vira caçadora.
Análise: Kim Basinger fez uma atuação brilhante, que permitiu passar ao espectador toda a tensão que sentiu durante a perseguição. É claro que há elementos estranhos durante a perseguição, mas nunca fui alvo de uma para saber como o esquema funciona (e nem quero). É possível perceber o quão frustrada ela se sentia como mulher e como esposa e, à medida em que a estória evolui, nota-se a força que Della encontra para livrar-se de seus perseguidores. Em certos momentos até parece ser impossível fazer o que ela faz. A trilha sonora de Paul Haslinger é envolvente, especialmente nos momentos finais do filme.
Rudo e Cursi – A Vida é uma Viagem (Rudo y Cursi)
Rudo y CursiToto (Gael García Bernal) e Beto (Diego Luna) são dois irmãos que vivem uma relação de amor e ódio enquanto competem por um espaço no mundo do futebol profissional.
Análise: Guillermo foi um dos três produtores deste filme, lançado em 2008. Escrito e dirigido por Carlos Cuarón confesso ter me surpreendido com o filme. Em uma cidade fictícia no estado de Jalisco, México, os dois irmãos vivem uma dura vida com seus parentes, mas sonham em sair dali para arrecadar fundos e construir uma casa para sua mãe. Se não fosse o idioma e a cidade, juraria que este filme retrata o futebol brasileiro. A dificuldade de ser encontrado por um olheiro e conseguir o devido destaque como titular na seleção do país. O filme aborda a guerra existente entre a dualidade que os personagens lidam sobre talento e desejo. A fotografia do filme é ótima, os diálogos são incríveis e a narração de um dos personagens principal faz com que a estória seja contada com fluidez, ao longo do tempo, sem atropelos, sem erros. Uma verdadeira obra cinematográfica que revela bastidores do futebol de maneira sutil, sem ferir egos, nem exagerar nos atos e fatos apresentados. Quanto à música, Leoncio Lara não poderia ter feito um trabalho diferente, pois ficou excepcional.
Splice – A Nova Espécie (Splice)
SpliceClive Nicoli e Elsa Kast ficaram famosos no meio científico pelas suas experiências na combinação do DNA de vários animais, gerando criaturas bizarras. Eles são apaixonados, tanto pelo trabalho que fazem quanto um pelo outro. Agora eles querem dar um passo adiante e combinar o DNA de animais com o de seres humanos, só que seus financiadores vetam a ideia. Eles seguem adiante com a iniciativa, em segredo. O resultado desta experiência é Dren, um ser cujo ciclo de vida extremamente rápido faz com que atinja a fase adulta em questão de meses. Clive e Elsa tentam manter Dren em segredo, mas logo a ligação entre eles deixa de ser meramente científica para se tornar pessoal. Inicialmente o novo ser cria uma relação de afetividade com seus criadores, mas não tarda a mostrar seu lado mortal.
Análise: Guillermo atuou como produtor executivo de um grande filme, porém pouco conhecido pelas pessoas. A arrecadação fala por si só: com orçamento de USD 30 milhões, o filme resgatou menos de USD 27 milhões. Não sei se pensaram que seria mais um filme de terror com criaturas grotescas espirrando sangue para todo o lado. Splice pode contar um pouco disso, mas é muito mais. Em Splice percebemos o início de uma relação afetiva (e posteriormente amorosa) entre criador e criatura. Demonstra a vontade de uma mulher em ser mãe, ainda que de um ser criado em cativeiro e a vontade de uma dupla de ajudar a humanidade e receber a devida fama. Demonstra o desespero que alguns podem ter quando o resultado não é o esperado e não se sabe o que fazer. Talvez, nessas situações, o instinto de sobrevivência fale mais alto e permita fazer o que deve ser feito. Cyrille Aufort traz um tom moderno à trilha sonora. Para mim Splice é um dos grandes trabalhos em que del Toro pode produzir.
Biutiful (Biutiful)
BiutifulCatalunha. Uxbal coordena vários negócios ilícitos, que incluem a venda de produtos nas ruas da cidade e a negociação do trabalho de um grupo de chineses, cujo custo é bem menor por não serem legalizados e viverem em condições precárias. Além disto, ele possui o dom de falar com os mortos e usa esta habilidade para cobrar das pessoas que desejam saber mais sobre seus entes que partiram há pouco tempo. Uxbal precisa conciliar sua agitada vida com o papel de pai de dois filhos, já que a mãe deles, Marambra, é instável. Quando descobre que sofre de um câncer terminal e é confrontado por um amigo de infância, hoje policial, Uxbal decide mudar de vida.
Análise: um drama muito bem escrito, com produção que contou com Guillermo del Toro. O filme foi indicado à 83ª edição do Oscar nas categorias Melhor Ator (Javier Bardem, Uxbal) e Melhor Filme Estrangeiro, porém sem levar os prêmios. Bardem tem uma atuação impressionante. Biutiful pode ser considerado como um lindo poema em tom melancólico sobre o amor, a paternidade e a culpa. Essa tríade percorre muitos personagens, sob vários aspectos. Há motes espirituais, financeiros, policiais e até mesmo sexuais. A bem da verdade, o filme retrata o cotidiano de muitas pessoas que vivem no anonimato, cheia de problemas e de alegrias, que passam despercebidas dos demais, tão naturais quanto os próprios temas.
Os Olhos de Júlia (Los Ojos de Julia)
Los Ojos de JuliaGuillermo produziu este filme que, infelizmente, não chegou às telas de cinema no Brasil. Produzido em 2010, conta a estória de Júlia (Belén Rueda), que recebe a notícia inesperada da morte de sua irmã gêmea, Sara. Tudo indica que foi suicídio, mas Júlia prefere acreditar na hipótese de assassinato e passa a investigar o caso por conta própria. Enquanto reconstitui a rotina da irmã, que não visitava há meses, Júlia tem de lidar com a perda progressiva da visão.
Análise: Uma frase que resume muito bem esse filme é: uma mulher cega contra um homem invisível. Uma produção incrível, dirigida por Guillem Morales, que estava começando no ramo cinematográfico. Depois de ver “O Orfanato” sentimo-nos acostumados com a atuação de Belén, fazendo com que a tensão aumente enquanto a trama se revela, de maneira surpreendente e envolvente. Novamente, Fernando Velázquez confere o ritmo necessário às cenas. Os diálogos são precisos, especialmente quando Julia finalmente descobre quem é seu inimigo. Nem os espectadores têm ideia precisa de quem seja, uma vez que as imagens são gravadas de um ângulo que enaltece somente o que precisa ser mostrado. Senti uma leve semelhança no fim do filme com cenas de “Enquanto Ela Está Fora“.
Megamente (Megamind)
MegamindTudo o que vilão Megamente mais queria era eliminar seu adversário Metro Man e assim dominar a cidade de Metro City. Só que para isso era necessário um plano ainda mais diabólico do que todos já tentados anteriormente. Um dia, com a ajuda de Criado e após sequestrar a repórter Rosane Rocha, o malvado consegue o inimaginável, para ele e para todos: dar um sumiço no herói. A única coisa que ele não contava era que sua vida se tornaria tão chata a ponto de ele inventar um herói para combater.
Análise: Guillermo atuou como “consultant/advisor”, quando sugeriu alteração no início do filme: “You know how you should start this movie? He’s narrating this movie, but if he’s falling to his death that would be a cool way to start it.” O filme é simplesmente incrível. A ideia de tornar um vilão herói fugiu ao padrão dos filmes de super heróis. Aliás, foi o primeiro filme da DreamWorks a tratar de super-heróis.  Megamind tem carisma, juntamente com o Criado, seu assistente. Megamind é irônico e sarcástico, como todo bom vilão, o que confere ao filme a dose de humor necessária à trama. Com um orçamento de USD 130 milhões, o filme arrecadou aproximadamente USD 322 milhões mundialmente. E ainda foi criado um jogo a partir do filme, chamado de Megamind: Ultimate Showdown (PS3 e Xbox360).
Kung Fu Panda 2 (Kung Fu Panda 2)
Kung Fu Panda 2Po vive o sonho de ser o dragão guerreiro, protegendo o Vale da Paz ao lado dos mestres Shifu, Tigresa, Macaco, Víbora (Lucy Liu), Louva-deus e Garça. Sua vida pacata chega ao fim quando surge um novo inimigo, o lorde Chen, que possui uma arma secreta capaz de permitir a conquista da China e provocar o fim do kung fu. Para impedi-lo, Po e os Cinco Furiosos precisam cruzar o país e derrotá-lo.
Análise: após ser apresentado no primeiro filme, Po enfrenta seu primeiro vilão. Guillermo atuou como consultor criativo e produtor executivo neste filme, que encantou desde crianças a adultos (o valor arrecadado de quase US$ 700 milhões comprova isso). O filme retrata a luta interna de Po ao resgatar suas origens e descobrir quem verdadeiramente é. Joseph Campbell fundamentou a teoria do herói de mil faces “A hero ventures forth from the world of common day into a region of supernatural wonder: fabulous forces are there encountered and a decisive victory is won: the hero comes back from this mysterious adventure with the power to bestow boons on his fellow man.” Incrível perceber como a literatura mundial inlfuencia o universo cinematográfico e se faz presente em filmes teoricamente classificados como infantis. Situações simples, como as lutas, cujos golpes fabricam e auxiliam a trilha sonora, a abordagem da descoberta da adoção, o desejo do aprendizado por um caminho mais fácil e a hilária sequência do dragão comedor de lobos; esses e muitos outros elementos promovem a caracterização dos personagens e de suas estórias, aderindo complexidade à medida em que a narrativa é feita. Divertido e emocionante, Kung Fu Panda 2 conseguiu ser melhor que seu antecessor e ainda deu gostinho para sua continuação.
Cowboys & Aliens (Cowboys and Aliens)
Cowboys & AliensUm dos filmes de 2011 em que Guillermo não teve uma participação explícita. Na realidade, ele nem foi creditado no filme, sendo um mero ‘consultor criativo’. Vamos à sinopse: em 1873, no Arizona, um homem chamado Jake Lonergan acorda sem nenhuma memória de seu passado, e com um misterioso bracelete em seu pulso. Ele entra na cidade de Absolution, onde descobre que ele é um criminoso notório procurado por muitas pessoas, incluindo o Coronel Woodrow Dolarhyde, que comanda a cidade com punhos de ferro. Porém a cidade enfrenta uma ameaça maior quando uma força misteriosa ataca a cidade do céu, matando todos no caminho. Enquanto o bracelete de Lonergan guarda o segredo para derrotá-los, ele deve se aliar ao Coronel Dolarhyde e antigos inimigos para combater a entidade misteriosa.
Análise: não é o melhor filme sobre alienígenas que já vi. Contudo, consegue prender a atenção do espectador. Não sei até que ponto chegou o envolvimento de Spielberg e del Toro na elaboração das criaturas, mas o resultado ficou muito bom. Para mim não chega a ser assustador, mas é bom o suficiente para que eu tenha ficado tenso em muitos momentos. Senti uma inserção estranha de uma cena entre Daniel Craig e Olivia Wilde, antes de iniciarem a caça aos aliens. Fiquei assombrado com o orçamento do filme, cerca de R$ 163 milhões de dólares. Sorte que se pagou.
Não Tenha Medo do Escuro (Don’t Be Afraid of the Dark)
Don't Be Afraid of the DarkSally Hurst é uma criança solitária e curiosa, que foi morar com seu pai Alex e Kim numa mansão do século 19. Um dia, enquanto explorava a enorme propriedade, ela descobre um local escondido e isolado, desde que o construtor da residência desapareceu um século atrás. É quando a menina acaba libertando estranhas criaturas que pretendem levá-la para o mundo das trevas e precisa convencer os adultos de que não se trata de uma fantasia, mas de uma assustadora realidade.
Análise: este filme é um remake do filme homônimo, lançado em 1973. Como viu como criança, Guillermo ficou bastante impressionado e resolveu produzi-lo, aos seus moldes, com a direção de Troy Nixey. Terei de ver essa versão para comparar, mas pelo que li na Internet houve uma mudança de protagonista. Quanto ao filme de 2011, é possível perceber os traços marcantes de del Toro durante o filme, como captação integral das personagens enquanto movimentam-se, criaturas estranhas e assustadoras e profunda imersão de suspense ao espectador. Boa parte disso se deve aos ambientes escuros, à trilha sonora de Marco Beltrami e ao registro de imagens pelo uso de câmeras fotográficas pela protagonista. Aliás, esse elemento foi amplamente usado nos filmes Los Ojos de Julia e Mamá. Impressionei-me com a atuação de Bailee Madison (Kim), não pelos gritos de pavor, mas pela profundidade de representação que dá à personagem e também de Katie Holmes, que cativa muito o público (a cena final com ela é assustadora). Como Kim, demonstra que o carinho pela filha de Alex cresce gradualmente, à medida em que sente o pavor vivenciado por Kelly com os seres pequeninos.
O Gato de Botas (Puss in Boots)
Puss in BootsMuito antes de conhecer o ogro Shrek e sua turma, Gato de Botas vai viver uma grande aventura ao lado de Humpty Dumpty e Kitty Pata Mansa. Dipostos a roubar os feijões mágicos do casal fora da lei Jack e Jill, o trio quer mesmo é botar as mãos na famosa gansa que bota ovos de ouro. Mas algumas coisas não estavam nos planos e Gato vai descobrir, meio atrasado, que tem um grande problema pela frente para conseguir limpar o que ficou para trás: a  sua honra.
Análise: Guillermo atuou como produtor executivo e ainda fez a voz do Comandante. O filme foi nomeado à 84ª edição do Oscar pelo prêmio de melhor animação, porém não ganhou (o prêmio foi para Rango e concordo com a decisão). Mas por quê? Por mim, o filme conta com um dos piores personagens já utilizados em um filme: o Ovo Humpty. Totalmente sem escrúpulos, nem ao fim do filme para mim o personagem se salva. Sem graça, sem vida, nem sal. Por mais importante que seja, detestei. A estrela ali são Gato de Botas e Kitty Pata Mansa. Interessante quando eles conversam e o gato diz “los dueños de gatos son locos” e, em parte, concordo. O filme tem um desenrolar muito bom, uma trama bem desenvolvida e tudo é retratado com muito humor, especialmente no que diz respeito às manias dos gatos. A única coisa legal que saiu do Ovo foi a referência a Zoltar quando tenta dar um nome ao Gato de Botas. Agora é apostar que os rascunhos que Guillermo já esboçou saiam do papel e Chris Miller tome o projeto adiante para uma continuação.
A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians)
Rise of the GuardiansAs crianças do mundo inteiro são protegidas por um seleto grupo de guardiões: Papai Noel, Fada do Dente, Coelho da Páscoa e Sandman. São eles que garantem a inocência e as lendas infantis. Mas um espírito maligno, o Breu, pretende transformar todos os sonhos em pesadelo, despertando medo em todas as crianças. Para combater este adversário poderoso, a Lua designa um novo guardião para ajudar o grupo: Jack Frost, um garotinho invisível que controla o inverno. Sem conhecer sua própria vocação de guardião, ele embarca em uma aventura na qual vai descobrir tanto sobre as crianças quanto sobre seu próprio passado.
Análise: Guillermo atuou como produtor executivo e devo confessar que fez um excelente trabalho. Rise of the Guardians renova a credibilidade de determinados personagens no âmago das crianças (norte-americanas, diga-se de passagem). De todos os personagens, Sandman, Jack Frost e Breu são os menos conhecidos. O primeiro ainda tem uma versão brasileira, o João Pestana (daí a expressão tirar uma pestana). Já para o segundo, temos a personificação do inverno, mais especificamente da neve, uma vez que ele vive no polo norte e ‘aterroriza’ as pessoas com o frio. Quanto ao terceiro, Breu, é a essência do medo e rei dos pesadelos – o máximo que chegamos perto dele aqui foi o Bicho-Papão. Tirando essa diferença cultural, o filme se desenvolve muito bem e consegue captar e comover os espectadores. A cena inicial com o trenó do Papai Noel é digna de inspirar o pessoal dos Parques Temáticos da Disney a criarem uma montanha-russa bem peculiar. A música composta por Alexandre Desplat cativa. Contudo, fiquei triste com o desenrolar final. // Spoilers adiante: Sandman aparece de um jeito inexplicado e a luta que deveria ser entre Jack Frost e Breu não acontece. Talvez seja a mensagem para que Breu fosse derrotado por seus próprios medos, mas não acredito que tenha sido a melhor forma de se terminar um filme.  // De resto, gostei muito do filme e não assustaria se houvesse uma continuação. Para mim, Sandman é o melhor de todos os personagens!
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey)
The Hobbit: An Unexpected JourneyBilbo Bolseiro vive uma vida pacata no condado, como a maioria dos hobbits. Um dia, aparece em sua porta o mago Gandalf, o cinzento, que lhe promete uma aventura como nunca antes vista. Na companhia de vários anões, Bilbo e Gandalf iniciam sua jornada inesperada pela Terra Média. Eles têm por objetivo libertar o reino de Erebor, conquistado há tempos pelo dragão Smaug e que antes pertencia aos anões. No meio do caminho encontram elfos, trolls e, é claro, a criatura Gollum e seu precioso anel.
Análise: antes de mais nada há que se ressaltar a diferença entre as versões de 24fps e 48fps. No cinema, por mais incrível que pareça, permitiu ao espectador ver além, percebendo com mais beleza as cenas exibidas. O Hobbit é, acima de tudo, um filme visualmente bonito, que encanta os olhos. A trilha sonora, neste ponto, permite que tanto imagens quanto sons entrelacem entre si, de maneira a aumentar a experiência cinematográfica. Oriundo de uma obra e divida em 3 filmes, o Hobbit conta de maneira mais detalhada as aventuras de Bilbo Baggins junto ao precioso anel. Atuações incríveis, batalhas espetaculares e momentos de tensão e alegrias até o fim. Sem dúvidas, um excelente filme.
Mama (Mamá)
MamáJeffrey, pai das meninas Victoria e Lilly, mata a esposa e, para fugir da polícia, pega as meninas e as coloca no carro, rumo a lugar desconhecido. Acontece um acidente na estrada e os três adentram uma floresta. Assustados, encontram uma cabana e resolvem entrar. Lucas tenta assassinar as meninas, mas algo sombrio acontece. Durante cinco anos, ninguém tem notícia do paradeiro delas, até o dia em que elas reaparecerem, sem explicarem como sobreviveram sozinhas. Os tios das duas, Lucas e Annabel adotam Victoria e Lilly e tentam dar uma vida tranquila às duas, mas logo eles percebem que existe algo errado. As duas conversam frequentemente com uma entidade invisível, que chamam de “Mama”. Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, ou se devem culpá-las pelos estranhos acontecimentos na casa.
Análise: mais um filme com a participação de Guillermo, cujo papel foi de produtor executivo, ao envolver criaturas estranhas e crianças misteriosas. O ideia do filme surgiu do curta-metragem homônimo, produzido em 2008, por Andrés Muschietti, que pode ser acessado aqui. A incrível trilha sonora com 18 faixas foi composta por Fernando Velázquez, o que confere a tensão necessária ao filme. Infelizmente a trama é estranha, porque relaciona duas estórias distintas, associando-as por um elemento: o amor de uma mãe ao(s) seu(s) ente(s) querido(s). Acontece que Mama não é a progenitora real de Victoria e Lilly, o que ao mesmo tempo permite que ela tenha a força sobrenatural que desenvolveu ao longo de quase 100 de pós-morte e desenvolva o desejo de ser mãe novamente (com Vic e Lilly), após tentar matar seu próprio bebê em virtude de doença mental. Guillermo demonstra na trama as diferentes características que algumas mulheres desenvolvem ao longo de suas vidas: umas querem ser mães, outras nem de perto; além de tratar do assunto que nem todas as crianças são criadas por suas mães naturais. Guillermo tem tratado muito sobre essa temática: a estrutura das famílias tem mudado juntamente com o papel social das mulheres.
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Um comentário em “Conhecendo Guillermo del Toro

  1. Raphael Santiago
    18/05/13

    — É um filme de aventura como os que via quando criança, e nos inspiravam a ser caubói ou astronauta. É excitante, bonito, sem a estética do aço polido e frio, com chuva, vento e monstros gigantes. Enfim, muito romântico.

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Publicado às 02/05/13 por em Filmes e marcado , , , , , , , , , , .
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