DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

A influência negativa dos meios de comunicação

Não é a primeira vez que fico atônito ao assistir a determinados telejornais de horários nobres. Inicialmente divaguei comigo mesmo sobre o assunto e os impactos inerentes à sociedade. Porém, tinha que ir além. Pesquisando na Internet busquei diversos textos que pudessem iluminar meus pensamentos e impedir que eu estivesse chegando a um estado de loucura. Senti-me no caminho certo.

Primeiro, do que estou falando? Trato aqui da banalização dos meios de comunicação ao exibirem, a todo e qualquer custo, informações sobre a violência que assola as cidades brasileiras. Entendo perfeitamente a existência do artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade da manifestação do pensamento e a liberdade de expressão. Desta forma, os veículos de comunicação constituem peça chave em uma rede simbólica de informação que cria e distribui conhecimento social sobre o mundo. Por outro lado, o crime, como fenômeno individual e social, tem raízes e motivações extremamente complexas, impossíveis de serem capturadas apenas em uma variável.

Porém, até que ponto a cobertura de uma notícia pode ter apenas caráter informativo, de maneira a garantir que os cidadãos sejam devidamente informados acerca do que ocorre ao seu redor? Não estaria a abordagem dos repórteres e dos apresentadores dos telejornais ocorrendo de maneira exagerada, unilateral e controversa? Quais impactos (positivos ou negativos) poderiam sofrer os espectadores, acarretando em desvios comportamentais?

Transcrevo a seguir trecho de texto “A influência da mídia no aumento da violência e da criminalidade no Brasil“, escrito pelo blogueiro Lélio Laura: “Estudos científicos mostram que o comportamento das pessoas pode sofrer mudanças diante do que é exposto pelos meios de comunicação. De acordo com a psicóloga Osimar Beatriz Tura, pessoas podem sofrer aprendizagem negativa a partir do que é exposto pelos meios de comunicação e, até mesmo, sentir-se aliviadas, após assistirem a uma cena violenta, por não estar acontecendo aquilo com elas ou com alguém da família. Esse fascínio por assuntos violentos, conforme a psicóloga, pode ser justificado pela possibilidade de extravasar a violência contida em cada um de nós. Em síntese, não há preocupação com as consequências que a divulgação da violência pode causar às pessoas, muito menos o trauma que pode causar ao desenvolvimento de uma criança. Isso não tem a menor importância. A preocupação é somente com a venda da notícia. Não se pode negar que a amplificação dos fatos é antiga e intrínseca à atividade jornalística, mas deve ser feita de forma responsável, sempre com um objetivo definido de prevenção à violência. E não adianta dizer que esse não é o papel da mídia. É sim, de todos nós, principalmente dos meios de comunicação, que têm o poder de pautar a segurança pública. Ciente de que as estatísticas sobre violência não são confiáveis e, mesmo assim, acaba divulgando esses dados, a mídia contribui para perenizar a distorção sobre esse universo.

Não há dúvidas que as mídias podem – e devem – representar impacto positivo para a sociedade, ao explorar assuntos como educação, saúde, segurança pública e outras necessidades básicas do ser humano. Quantos programas sociais não tiveram replicação em diversas cidades após serem descobertos por repórteres que procuram melhorar seu município? É comum lembrar de programas como Pequenas Empresas Grandes Negócios, A Grande Ideia, Globo Rural e Globo Cidadania, pelo cunho social que representam ao mostrar iniciativas benéficas à sociedade. Porém, nenhum destes possui ibope competitivo com programas que enaltecem a violência e a criminalidade existente no País.

Não se desconhece que é da natureza da atividade jornalística a busca pelo “furo”, pela “melhor imagem” a qualquer custo, na cobertura de fatos policiais. A impressão que fica é que parece haver um estímulo a essa prática pelo cumprimento das “pautas”, com o perigo do terrível linchamento midiático.” Não somente corroboro as palavras de Lélio, como acredito ser sanguinolenta a voracidade com a qual a mídia apresenta as reportagens. Quanto mais violência, melhor. Quanto mais sangue, melhor. Expôr as entranhas do sofrimento alheio virou regra, não exceção. Virou matéria obrigatória em qualquer jornal. Registrar cenas de uma mãe chorando porque seu filho faleceu não basta; o jornalista pergunta à mulher o que ela sente, o que gostaria de fazer e o que será de sua vida após o ocorrido. Sinceramente, o comportamento de determinados apresentadores de telejornais é pavoroso, angustiante e deveras nojento. Incrível quando falam mal de bandidos, maus políticos, corruptos e desonestos. Será que eles têm a noção da nocividade que representam para a mídia brasileira? São palavras simples para representar o mal que causam aos espectadores. E questiono, será que um indivíduo forma-se jornalista tendo como figura de incentivo um apresentador sem escrúpulos? Espero que não.

Tenho amigos que trabalham no meio jornalístico e sei que podem se sentir revoltados com minhas palavras. Todavia, sei que a mídia pode ser usada como um veículo positivo de comunicação. E citei pequenas provas disso. O que me revolta é a naturalidade com a qual alguns repórteres mostram matérias sobre os mais desastrosos, sanguinolentos e violentos assuntos. Depois muitos pais se perguntam porque os filhos abandonam os lares, optam pela criminalidade e acabam com suas vidas (e de outros). A teoria da “imitação e sugestão” de Gabriel Tarde (1912) foi a primeira a oferecer as bases teóricas para o debate sobre os copycat crimes. Esse autor cunhou a expressão “agressões induzidas por imitação” para explicar o comportamento criminoso, cujas causas sociais teriam a mesma origem e seguiriam o mesmo processo de imitação responsável pela criação da moda e dos modismos. Em outras palavras, e de acordo com a psicologia ambiental, o meio influencia o indivíduo.

O que mais me deixa surpreso, nessa estória toda, é a capacidade que a mídia tem de informar sobre operações de segurança (exemplo) e novos dispositivos de combate ao crime (exemplo) praticados pelas forças de segurança pública. Vi uma reportagem pela Rede Globo que mostrava a adoção de um dispositivo de segurança, chamado de “botão de pânico”, cujo acionamento realizado pelo comerciário disparava um alerta na unidade policial mais próxima para que os agentes de segurança fossem direcionados. Informaram, inclusive, como os comerciários poderiam obter tal dispositivo. Em palavras simples, é dar arma ao bandido.

Mas, o que fazer então? Cabe aos órgãos reguladores procederem às fiscalizações, de modo a garantir que o público tenha acesso correto à informação. Cabe aos pais terem conhecimento do que seus filhos acessam, seja pela televisão, seja no computador. A censura não é feita dizendo-se apenas “não”; mas explicando as razões pelas quais algo não é recomendável de ser assistido. Você tem o controle remoto nas mãos para controlar o que sua família assiste; você tem o controle nas mãos para votar em políticos que possam mudar, drasticamente, a situação em que o País se encontra; você tem o controle para, juntamente com os demais, lutar por um mundo melhor.

Fica aqui um desabafo de um cidadão preocupado, mas, ainda assim, esperançoso. Recomendo a leitura do texto “A influência da mídia no aumento da violência e da criminalidade no Brasil”, escrito pelo blogueiro Lélio Laura, dito anteriormente, em suas partes I, II e III. Outros textos relevantes podem ser obtidos pelo Google, como defesas de mestrado e doutorado, ligadas a disciplinas do Direito e da Psicologia.

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