DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Carência

Carência. [Do lat. vulg. carentia.] S. f. 1. Falta, ausência, privação: Durante o cerco a cidade sofreu a carência de víveres. 2. Necessidade, precisão: A criança tem carência de afeto. [Sin., nessas acepç.: carecimento] 3. Econ. Período entre a concessão de um empréstimo ou financiamento e o princípio de uma amortização: O pagamento do empréstimo será em 20 prestações mensais após dois anos de carência.

A bem da verdade, parece-me que o termo supracitado encontra-se deveras depreciado e mal utilizado. Isso porque é realmente fácil encontrar pessoas carentes, não somente de algo material, mas principalmente de sentimentos. Porém, qual seria a razão para haver tantas pessoas carentes no mundo? E, ainda, como resolver essa situação? Parece, definitivamente, trabalho para super-herói de estória em quadrinhos.

Primeiro, há que se levar em consideração os carentes em ordem primordial, por óbvia razão de sobrevivência. Pessoas que não possuem moradia, que não têm acesso ao saneamento e outras questões de higiene básica, que não têm acesso à alimentação digna, que são desprovidas de educação e de um contato maior com o mundo exterior. São, definitivamente, pessoas excluídas da sociedade, por razões adversas à sua vontade. A carência de tudo que é básico para essas pessoas toma proporção cada vez maior, especialmente quando entidades governamentais buscam saneá-la à medida em que acordos e pactos globais são celebrados – melhor ainda quando cumpridos.

Contudo, a carência que se percebe no mundo virtual – e físico também, claro – diz respeito a questões relativamente frívolas, quando comparadas com a carência anteriormente abordada. Há pessoas carentes de posses físicas que fazem um escarcéu quando não conseguem aquilo que querem. E refiro-me a um iPhone 5, ao novo iPad, ao Galaxy SIII, ao novo PS Vita, a uma camisa original da Hollister ou da Dudalina. São itens meramente ilustrativos – e de total consumo. Antes de mais nada, não extermino pessoas que tenham esses itens ou que queiram comprá-los. O que percebo é a exacerbação de determinadas pessoas em obter tais itens, como se suas vidas dependessem disso. Admito, há que se ter a ganância suficiente para querermos melhorar nossas vidas – e também daqueles que estão ao nosso redor. Mas ver gente chorando porque não consegue/não pode comprar esse ou aquele objeto, parece-me algo demais.

Em outro aspecto, há uma crescente na carência afetiva, em que pessoas buscam desesperadamente por um(a) namorado(a), esposo(a) ou sabe-se lá o que. Algumas, inclusive, chegam a comportar-se como metralhadoras, atirando para os mais diversos lados na busca incessante por um novo amor. Querem atenção, querem ser ouvidas, querem ser amadas. Quando estão sozinhas nas relações as consequências são menores entre uma separação e outra. Porém, quando há crianças envolvidas, deve-se lidar com o fato do rompimento desse relacionamento sem olvidar que os filhos permanecem.

O nível de carência chega a tal ponto que se aglutina com o uso das redes sociais, fazendo com que amizades virtuais tornem-se figuras de expressão além do seu significado real. Em outras palavras, se você deixou de seguir ou desfez a amizade em determinada rede social, tudo aquilo que existia no mundo físico se perdeu e nada mais pode voltar a ser o que era. O universo virtual tem seccionado os sentimentos e sua afeição com os outros, impedindo-o de ter sua aplicação prática e real. Infelizmente as consequências geralmente não são boas. Amizades começam muito rápido e logo surgem ações para acalentar necessidades meramente fisiológicas, uma vez que não houve tempo suficiente para que sentimentos mais profundos sejam adquiridos. Resultado: os olhos não veem o que o coração nem sequer sente, mas a carência física se faz presente – e evidente.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é que a carência tem tomado uma proporção extramente egoísta e individualista, fazendo com que certas pessoas afastem outras de seu convívio em razão da sua necessidade afetiva por certas coisas. As pessoas querem ser ouvidas, querem deitar no divã e choramingar todos seus problemas e frustrações, mas dificilmente oferecem o mesmo benefício aos outros. Pode-se perceber em situações simples, como filas de supermercados, shows e em restaurantes. “Primeiro eu“, antes de pensar coletivamente. Bem, vivemos em um mundo capitalista, competitivo e globalizado, cada vez com menos valores sociais (sem fazer qualquer apontamento religioso).

Portanto, não confunda suas vontades de consumo, ou anseios sentimentais, com necessidades sem importância (ou com importância momentânea). Tenha foco suficiente para distinguir o que é real (e que venha do coração) daquilo que é passageiro e/ou desnecessário. Respire fundo e coloque em papel tudo o que está sentindo. É algo realmente tão relevante assim ou você pode esperar um pouco mais? O que essa pessoa representa em sua vida, nesse momento? O que representará daqui a alguns meses, ou anos?

Essas e muitas outras perguntas você deve se fazer sempre que se deparar com algo que almeja. Parece racionalização além do necessário, mas entendo que um mínimo de razão, antes de qualquer coisa, permite observar melhor a situação e antever possíveis problemas, evitando-os e garantindo maior sucesso e aproveitamento no futuro. Acima de tudo, seja feliz.

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Um comentário em “Carência

  1. silver account
    27/09/12

    tenho 17 anos e sou sozinha,não acho que exista idade para sentir-se solitário,sentimentos não tem idade,cada um tem seus próprios problemas e inseguranças,ninguém é o que é por nada todo mundo tem seus motivos de estar feliz ou triste,não acho que palavras bonitas e frases bem feitas irão mudar a vida de ninguém,palavras são palavras e não são tão profundas nem intensas como os sentimentos,eu poderia escrever aqui para que todos que se sentem sozinhos tentem fazer esportes,ir a encontros as escuras ou coisa parecida mais sei que isso não vai ajudar ninguém,só vai frustrar a pessoa mais ainda,é o seguinte eis a minha opinião: a solidão é um desespero,uma carência e mágoa muito forte que nos torta fracos e medrosos temos medo de nos envolver com medo de nos machucarmos ao mesmo tempo que não suportamos estar sozinhos,a medida que o tempo passa tudo piora e fica cada vez mais difícil superar,o fato é que hoje eu sou uma pessoa sozinha e talvez daqui a trinta anos eu ainda seja,pois o que eu sinto está dentro de mim e não tem nada a ver com mundo exterior,talvez eu tenha ficado assim por ter sido magoada,mais o que está lá fora não vai mudar o que sinto por dentro,e se algum dia eu descobrir como apagar esse sentimento que consome e mata as pessoas eu prometo que aviso,é isso boa sorte a todos.

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Publicado às 25/09/12 por em Reflexão e marcado , , , , , , .
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