DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

ParaNorman

Uma das mais famosas animações de terror, no gênero stop-motion, é o Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993), produzido por Tim Burton. Contudo, depois de tanto tempo, devo admitir que fomos agraciados com ParaNorman, dirigido por Sam Fell e Chris Butler. Conheci Fell pelo filme Por Água Abaixo (Flushed Away, 2006) e Butler por A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005) e Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009). Nem preciso dizer que considero os três filmes anteriormente citados simplesmente excelentes.

E então nos deparamos com Norman, um garoto tratado como esquisito devido ao seu dom peculiar: ele pode ver e se comunicar com os mortos. Norman se resigna à sua vida solitária até encontrar com Neil, um garoto na escola que também é excluído, desta vez pelo excesso de peso. As coisas parecem melhorar no mundo do Norman, até que seu tio maluco Prenderghast aparece com uma sinistra mensagem: Norman deve usar seu dom (ou maldição) para deter o fantasma de uma poderosa bruxa, antes que ela consiga evocar o mundo dos mortos e trazer o caos à Terra. Obviamente que não cumprirá essa tarefa sozinho: terá sua irmã e o irmão de Neil para ajudá-lo em uma cruzada totalmente maluca.

ParaNorman é um dos filmes visualmente mais impressionantes que já vi. De maneira ambiciosa, combina técnicas tradicionais de stop-motion com efeitos de animação (CGI), trazendo um nível incrível de detalhamento às personagens. A direção é sofisticada e assistir ao filme é uma experiência extraordinária. Fell e Butler fizeram ótimas escolhas para os cenários e as sequências. Na verdade, embora muitas pessoas considerem ParaNorman para crianças, o filme oferece melhores técnicas de direção do que os filmes live-action vistos atualmente – e certamente muito melhores que a maioria existente no gênero terror. Não é sempre que se encontra um filme que tenha esse nível de design intrincado, no que tange ao enquadramento, à luz e à composição de cenas; este filme faz tudo isso enquanto apresenta estilos e técnicas de filmes de terror famosos. Se você é viciado no gênero (ou mesmo um espectador casual), perceberá uma quantidade enorme dos chamados Easter eggs (ovos de Páscoa) de outros filmes.

O roteiro, escrito por Butler, oferece uma história familiar de aprendizagem, como trabalhar com a autoestima e consegue introduzir  reflexões mais sérias sobre a psicologia dos jovens que lidam com frustrações, especialmente no tocante à aceitação e à identidade. Nesse sentido, ParaNorman caminha sobre uma linha tênue entre o escárnio do gênero horror e a possibilidade de tornar-se um filme realmente assustador e perturbador. Traduzindo: alguns pais podem pensar duas vezes sobre a classificação do filme, afinal de contas há cenas em que Norman manuseia um cadáver fresco – isso pode assustar muitas crianças. Porém, o humor reina, absoluto.

A versão dublada do filme, disponível no Brasil desde a semana passada, também em 3D, é incrível. As vozes ficaram extraordinárias e encaixam-se perfeitamente às personagens. A trilha sonora foi composta por Jon Brion – desse não posso falar muito porque a última lembrança dele é de Magnólia, filme de 1999. Contudo, em ParaNorman a música completa o filme, especialmente nos momentos de tensão.

ParaNorman une duas coisas que são simplesmente fantásticas no universo cinematográfico: a magia da animação com a perturbação do terror – e não faz isso por acaso. Enquanto nossos olhos estão ávidos pelas cores e nossos ouvidos desejam os sons esquisitos, nosso tato pressente a tensão que não parece ter fim. E mais, tudo isso em tom sarcástico e humorístico. Há piadas e referências que não devem ser vistas por crianças. Há um universo feito especialmente para os adultos neste filme.

Ainda que algumas pessoas encontrem pontos fracos na estória, por tratar de temas banais como bruxas e zumbis, ParaNorman prova que o estúdio Laika Entertainment (também responsável por Coraline) tem mostrado grande talento, grandes ideias e um brilhante futuro contando estórias sombrias, de terror e com diversos ensinamentos nas entrelinhas. Ainda há espaço para que eles cresçam (como a Pixar, por exemplo), mas, assistindo ao filme, é possível perceber que há algo estranhamente agradável e diferente no modo em que a Laika gosta de contar sua versão das estórias.

Considero, portanto, um must-see dos filmes de 2012. É incrivelmente fantástico. Agradecimentos ao site ScreenRant.

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Publicado às 12/09/12 por em Filmes e marcado , , , , , , , , , , , .
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