DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Vale a pena aconselhar alguém?

Conselho (ê). [Do lat. consiliu.] S.m. 1. Parecer, juízo, opinião. 2. Advertência que se emite; admoestação, aviso: Siga meu conselho: não se precipite. 3. Senso do que convém; tino, prudência, aviso: homem de bom conselho. 4. Corpo coletivo superior. 5. Tribunal (7). 6. Reunião ou assembléia de ministros. 7. Corporação à qual incumbe opinar ou aconselhar sobre certos negócios públicos: conselho de saúde; conselho de economia. 8. Reunião de pessoas para tratarem de assunto particular: conselho de família. 9. Reunião de professores, presidida pelo reitor ou diretor da universidade ou escola onde lecionam, para tratar assuntos de ensino ou de ordem.

Está cada vez mais difícil efetuar a prática do aconselhamento. Nos moldes dos itens 1, 2 e 3, o fato de aconselhar alguém deixou de ser uma atividade nobre, como outrora faziam nossos ancestrais. Vivemos em outros tempos, é verdade. Porém, está cada vez menor a sensação de respeito ao próximo e a si mesmo. Nota-se uma perceptível perturbação no mundo, onde há segregação dos diferentes níveis da racionalidade humana.

Há pessoas que não se preocupam consigo mesmas, tampouco com o próximo. No caminho oposto, há aquelas que preocupam-se demais, ora em caráter egoísta, ora em caráter altruísta. Não há um meio termo que possa equilibrar as atitudes humanas. Muitos querem as coisas para anteontem, porque ontem já é pouco; outros preferem postergar o máximo que podem. Idiossincrasias à parte, tais situações ocorrem em qualquer parte do mundo.

Com tudo isso acontecendo, fica extremamente difícil alguém aconselhar outrem sobre determinado assunto. Primeiro porque dependemos de laços afetivos que permitam, tanto ao locutor quanto ao receptor do conselho, ter a devida receptividade; segundo porque o conselheiro deve ter uma análise crítica aguçada antes de opinar efetivamente sobre o assunto; terceiro porque ambos devem estar abertos ao debate.

São poucas as discussões que começam e terminam bem. Os envolvidos precisam entender porque estão ali, juntos, tratando daquele assunto. Precisam conversar, pelo tempo que for necessário, sobre o que está acontecendo e o que pode ser feito para resolver uma situação percebida por aquele que quer aconselhar. A outra parte deve fornecer todas as informações que dispõe para que a opinião não seja emitida em vão, ou pior, não estrague uma amizade ou um relacionamento.

É dito que os melhores conselhos advém dos pais. Com razão, pois os pais são aqueles que, naturalmente, querem sempre o melhor para os filhos. E não me refiro a laços de sangue, somente. Aqueles que realmente se enquadram no perfil de pai ou mãe entendem seu papel como formadores de pessoas no mundo. Querem, portanto, que sejam pessoas melhores, que possam praticar o bem e aperfeiçoar suas relações com as outras pessoas, com seu ambiente profissional, educacional, etc.

O passo primordial, portanto, é conversar. Saber tratar dos assuntos, argumentar, sem ofender os outros. É inevitável que em determinados momentos pessoas saiam machucadas ou mesmo magoadas. O importante é que ambos possam apresentar seus pontos de vista (por mais antagônicos que sejam), mas sem fazer deles uma obrigação a ser cumprida. Uma conversa franca e sincera pode acalmar os ânimos e reunir laços que antes poderiam estar rompidos. Uma conversa pode revelar sentimentos ocultos (porém positivos), que antes ninguém sabia da sua existência.

Mas, por fim, vale a pena aconselhar alguém? Seria o conselho a ser dado digno de confiança? Pense duas vezes antes de chamar essa pessoa para uma conversa. Avalie os prós e os contras. Escreva tudo o que você pensa em dizer primeiro, mas não torne isso um caderno obrigatório, porque o rumo da conversa pode mudar conforme a receptividade da outra pessoa. Saiba o que você quer dizer, como dizer e onde quer chegar com isso. Qual seu objetivo em aconselhar outrem? Independente do assunto e de sua gravidade, avalie sempre. Se a amizade for forte o suficiente, qualquer conversa será sempre renovadora.

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Publicado às 13/08/12 por em Reflexão e marcado , , , , , .
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