DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Educação em salas de cinema

Um dia como outro qualquer. Você marca com seus amigos para assistirem a um lançamento que estará em cartaz no cinema. Chega no local, encontra-se com o grupo para que todos possam comprar os ingressos para a sessão do filme. Contudo, o que deveria ser um programa de lazer, não somente para você e seus amigos, mas para todos aqueles que estão lá dentro, se configura num pesadelo bem realista. Pode ser chatice minha, porém, vamos diretamente ao assunto:

a) bilheteria: acaba sendo uma das partes mais simples, mas as filas assustam e desencorajam cinéfilos de plantão. Para resolver esse problema, muitos cinemas têm adicionado guichês de atendimento e incluído terminais eletrônicos, como ATMs de bancos. Uma solução para evitar esse problema é adquirir o bilhete por meio de sítios específicos para esse fim, fazendo com que você possa se dirigir diretamente à entrada da sessão;

b) atendimento na bombonière: o pânico começa logo na fila para a compra de pipocas e/ou refrigerantes. Somente nos dias mais tranquilos da semana se consegue um bom atendimento. Para fins de semana e feriado, quando obviamente o movimento é maior, qualquer um sofre com atendimento moroso e por vezes errôneo. Sem contar nas crianças que resolvem derramar 700ml de refrigerante no seu pé, enquanto você aguarda ansiosamente na fila. O que muitas pessoas fazem é levar lanches prontos de outros estabelecimentos, mas não é regra geral que todos os cinemas permitam a entrada;

c) acesso à sessão do cinema: de acordo com a Medida Provisória 2.208/2001 os estudantes têm direito à obtenção da meia entrada. Porém, em determinados cinemas há funcionários que garantem o pleno cumprimento da MP, solicitando que seja apresentada a carteira estudantil. Em outros é possível entrar, apenas pagando-se meia entrada, sem qualquer cobrança do funcionário. Há outro problema, no que diz respeito à formação das filas enquanto aguardamos o início da sessão, desprovida de qualquer organização e orientação pelos funcionários do cinema;

d) o espetáculo em si: você finalmente encontra seu assento (previamente determinado ou não) e procura relaxar enquanto a sessão não começa. Neste momento, já é possível ouvir pessoas ingerindo a pipoca como se fossem glutões. Quanto mais alto o barulho, melhor. As luzes se apagam. Seus tímpanos quase são estourados se você estiver numa sessão do Cinemark quando aquele musical escabroso com as normas de segurança é exibido. Os trailers começam e se houver qualquer filme nacional o volume certamente estará três vezes maior do que nos filmes internacionais. O filme começa. As pipocas não param de estourar no interior das bocas alheias. Em cenas românticas, as mulheres se derretem e causam suspiros. Em cenas picantes e/ou sexuais, os homens esboçam fervor característico. Já nas cenas de humor, há aqueles que dão risadas normais, entretanto há gargalhadas que imagino terem saído de zoológicos. Em cenas de pancadarias, a animação é contagiante. Já nas cenas de pânico, suspense e terror há quem tenha certeza que o protagonista ouvirá qualquer berro, alerta ou recomendação dita no cinema. Santo Batman… A situação pode ficar pior, quando ninguém presta a devida atenção ao filme e conversa mais do que vizinha à beira da janela. É uma necessidade de debater cenas específicas, em voz alta, de tal maneira que tenho certeza que há desperdício de talento com tantos cinéfilos desconhecidos. Entre mortos e feridos, há que se ressaltar um ponto positivo nesse fervor todo: qualquer sensação é contagiante, como se fosse um bocejo. Talvez daí tantas reações em cadeia;

e) hora de ir embora: o filme acabou, você ficou super contente e agora precisa ir. O que mais se percebe, nesse momento, é o estado imundo e pavoroso em que se encontra a sala do cinema. Pipocas espalhadas por todos os cantos, restos de refrigerantes, pacotes de fast foods e outros elementos que nem podem ser descritos aqui. E há quem use a desculpa “mas assim estamos garantindo o emprego de muitas pessoas“. E se a gente agride alguém por ouvir uma dessas ainda pode sofrer processo judicial. Nada lhe impede de levar o lixo alimentar à lixeira. A educação deve ser um elemento básico aos seres humanos.

Uma visão terrível de um simples programa que visa a diversão de pessoas. Pré-estreias e a primeira semana são os piores momentos para se assistir a um filme. Porém, se você estiver com muita força de vontade, pode passar por todas essas situações de maneira relativamente confortável. Ou, no melhor dos mundos, nada disso pode acontecer a você. E, se assim for, que você e seus amigos possam aproveitar sempre de uma das melhores diversões do mundo atual.

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Um comentário em “Educação em salas de cinema

  1. sentimentalogic
    03/05/12

    Tá um velinho completo… kkkk Mas realmente foi frustrante minha ida a um blockbuster recente (Avengers), nessas horas constato a previsão de que com o advento das super-tvs com 3D e o serviços de streamming em HD o cinema corre o risco de extinção!

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Publicado às 03/05/12 por em Reflexão e marcado , , , , , .
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