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Cavalo de Guerra (War Horse, EUA, 2011)

A remarkable horse. Assisti ontem ao último filme de 2011 dirigido por Steven Spielberg: Cavalo de Guerra (War Horse). Incríveis a crescente maturidade e a aprimoração de talento desenvolvidas pelo cineasta e produtor ao longo do tempo. Estão cada vez mais presentes, em seus filmes, temas que fazem parte da nossa infância, como amizade, coragem, família e perseverança. Lembram-se de Super 8? Pois é, tudo isso numa imersão impressionante de realismo e fidelidade aos sentimentos humanos. Em uma indústria cinematográfica em que prevalecem as cenas de ação, de violência e de humor em baixos níveis, Spielberg consegue, novamente, emocionar e encantar os espectadores.

Cavalo de Guerra retrata a amizade entre Joey, um cavalo puro sangue, e Albert Narracott, um garoto com prováveis 17 anos. Acompanhado de seu melhor amigo, Andrew Easton, Albert treina o cavalo para que possa trabalhar nas terras de seus pais, para que a família não perca a fazenda. Antes mesmo que tudo começasse a ficar bem, a cidade recebe o anúncio da Primeira Guerra Mundial. Albert descobre, da pior maneira, que seu pai vendeu Joey a um capitão da cavalaria inglesa para pagar as dívidas contraídas com a fazenda. Albert promete a Joey, então, que um dia se encontrarão novamente.

Informações sobre Joey chegam a Albert por meio de uma carta encaminhada pelo capitão Nicholls, contendo desenhos de seu cavalo, após um ataque mal sucedido em um acampamento de soldados alemães que culminou na morte do capitão. Joey é levado aos cuidados de Gunther e Michael, garotos de 14 anos que tratavam dos animais do exército rival. Infelizmente a tristeza não para aí e muitos outros acontecimentos surgem, trazendo um misto de alegria e tensão muito fortes. Em qualquer momento do filme a visão do espectador passa dos limites da tela, havendo tamanha imersão que temos a sensação plena de acompanhar cada ato como se estivéssemos lá.

A personagem central, Joey, é responsável pela sensação de estarmos em muitas cenas do filme. É por intermédio do cavalo que percebemos a natureza humana em suas relações, quer seja nos momentos de alegria, quer seja naqueles de revolta perante os atos de crueldade praticados pelos seres humanos. Incrível notar que, tanto por parte do exército inglês, quanto por parte do exército alemão, havia humanidade suficiente para o trato com os animais, para a preocupação com o próximo e até mesmo para uma pequena trégua a fim de auxiliar um ente ferido. E quando não estamos assistindo ao filme por meio dos olhos de Joey, Spielberg se encarrega de registrar closes magníficos das personagens, intensificando a sensação captada (outra técnica já utilizada em Super 8).

Cavalo de Guerra tem como base um livro para adolescentes escrito por Michael Morpurgo e publicado na Inglaterra em 1982. A adaptação do romance para as telas, por Richard Curtis (da DreamWorks) e Lee Hall, suavizou as passagens mais violentas para um público mais amplo. Morpurgo criou a história a partir do depoimento de um ex-soldado da Primeira Guerra Mundial, que lhe contou sobre sua amizade com os cavalos utilizados no transporte de armas e de soldados. Infelizmente falta de diálogos em francês e alemão. O inglês britânico, por sinal, está impecável.

Falando neles, até 280 cavalos foram utilizados em uma única cena. Trabalhar com cavalos nessa magnitude foi uma nova experiência para Spielberg: “Os cavalos foram uma extraordinária experiência para mim, porque muitos membros da minha família cavalgam. Eu realmente fiquei impressionado como os cavalos são expressivos e o quanto eles são capazes de nos mostrar o que estão sentindo“. Representantes da American Humane Society estiveram nos sets de filmagem durante todo o tempo para garantir a saúde e a segurança de todos os animais envolvidos, resultando na premiação do filme pela forma como eles foram cuidados. Em uma certa cena do filme um cavalo fica preso em arames farpados, sendo utilizado um cavalo robotizado (como um touro mecânico), além do arame farpado ser feito de plástico.

Outro ponto importante que não posso deixar de comentar é relacionado à trilha sonora do filme. E quem poderia estar envolvido? John Williams, é claro, tendo gravado em apenas dois meses. Sou suspeito a falar sobre trilha sonoras, pois edifico produções de John Williams e Michael Giacchino sem pestanejar. Uma produção incrível que se incorpora ao filme de forma sensacional, ora tranquilizando e ora aumentando a tensão existente. Impossível não se emocionar.

Informações técnicas:
Cavalo de Guerra (War Horse, EUA, 2011), de Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Emily Watson, Niels Arestrup e David Thewlis. Duração: imperceptíveis 146 minutos. Classificação recomendada: 12 anos.

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Publicado às 18/01/12 por em Filmes e marcado , , , , .
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