DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Egoísmo beirando o esplêndido

Dois vocábulos relativamente simples, mas de signficados bem expressivos. Primeiro, um substantivo masculino que representa sentimento ou maneira de ser dos indivíduos que só se preocupam com o interesse próprio, com o que lhes diz respeito. E, segundo, um adjetivo para qualificar algo (ou alguém) como brilhante, luminoso, reluzente, magnificente, suntuoso, grandioso, admirável, perfeito ou inexcedível. Mas por qual razão estaria o egoísmo, sempre associado a algo ruim, ao ponto de beirar o esplêndido?

É difícil efetuar uma ligação direta entre as duas palavras, mas explico: atualmente as atitudes egoístas, obviamente antagônicas àquelas altruístas, sobrepujam-se a qualquer outra ação humana. Aparentemente esse movimento é histórico e gradativo, porém o que ocorre é um aumento desmedido na prática egoísta e na forma relevante a qual é imposta à população.

Exemplifico com duas situações bem atuais, apresentadas em novelas correntes da Rede Globo de Televisão. O primeiro caso está na novela “A Vida da Gente“, com autoria de Lícia Manzo e direção de Jayme Monjardim. Ana Fonseca, personagem de Fernanda Vasconcellos, sofreu um acidente e ficou cerca de 05 anos em coma. Antes desse acidente, Ana e Rodrigo Macedo (Rafael Cardoso) concebem uma filha, chamada Júlia (Jesuela Moro). Como estava em coma, a filha é criada pelo pai, Rafael, e por Manuela Fonseca (Marjorie Estiano), irmã de Ana. Após acordar do coma, Ana percebe que todos seus projetos com Rafael foram por água abaixo, mas, como mãe, tenta criar um mínimo de vínculo possível com Júlia. Rafael se vê, portanto, dividido entre todo o carinho que sente por Manuela e o amor adormecido que sentia por Ana. Ao conversar com a irmã, Nanda (Maria Eduarda), recebe o seguinte conselho: “A solução de todos os seus problemas se chama Manuela. Você tem uma relação bacana, feliz, com uma mulher que te adora, que te ama, e é nisso que você tem que investir, e não numa ex-paixão de adolescência”.

Provavelmente a autora fará justamente o contrário, porque Ana é o amor da vida dele e etc. Em outras palavras, o egoísmo dele será responsável pela destruição da família existente (ele, Manuela e Júlia), de uma possível família formada por Ana e Lúcio (Thiago Lacerda), médico responsável pelo tratamento dela, além de, obviamente, motivar esse sentimento em outras pessoas. Entendo que realmente Ana possa ser o grande amor da vida de Rafael, mas ele fez as escolhas dele quando resolveu abandonar Ana na cama do hospital. Queria aproveitar a vida e voltar ao passado como se nada houvesse acontecido? Muito difícil.

A segunda situação está na novela “Fina Estampa“, de Aguinaldo Silva. A personagem Griselda da Silva Pereira (Lilia Cabral) se vê, aos poucos, conquistada por René Velmont (Dalton Vigh). Acontece que René é casado com Tereza Cristina Velmont (Christiane Torloni). Essa, por sua vez, já fez muitas coisas erradas na novela, como homicídio e traição. Griselda tinha aos seus pés Guaracy Martins (Paulo Rocha), mas desdenha de seu amor com os encantos de René. A bem da verdade, ninguém está correto nessa novela e tudo é apresentado como “fatos da vida real” e que podem – e irão – acontecer com você (ou com seu vizinho). Tudo é mostrado com bastante humor, música e maquiagem, além de um figurino impecável, para que os espectadores tomem aquilo como algo bom a ser repetido.

Em suma, fatos que deveriam ser evitados são expostos como exemplos a serem seguidos. Entendo que ninguém está impedido de lutar por seus sentimentos e por seu amor. Todavia, há que se ter bom senso e limites; há que se preservar um mínimo de amor ao próximo, a fim de evitar problemas aos envolvidos na situação em voga.

Uma frase bastante famosa reflete bem o que trago nesse texto, que diz o seguinte “o que importa é levar vantagem em tudo“. Quem segue esse pensamento como meta de vida certamente causará muito sofrimento a si e a outras pessoas (ainda que nem faça ideia disso). Portanto, antes de pensar em si, pense um pouco no próximo e reavalie suas ações e intenções.

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2 comentários em “Egoísmo beirando o esplêndido

  1. Jairo Pires
    13/12/11

    nossa, markos, nao sei nada de novela, nem assito, mas entendi bem a msg, e faço das tuas palavras as minhas, e até comecei a entende ro texto de uma, que o desenvolvimento seria outro, mas a abordagem que teve, me surpreendeu, GOSTEI!! bjo

  2. Dee
    13/12/11

    Estava justamente pensando no tema “egoísmo” há poucos instantes atrás, não necessariamente por causa das novelas (garoto noveleiro **rs**). Só não acho os exemplos das novelas perfeitos ao tema, pois não se trata necessariamente só de egoísmo. Trata-se também, dentro outras implicações, de escolhas e consequências. O agravo é que esse tipo de coisa passado em rede nacional é tomado como exemplo para muitos. Quanto ao “querer levar vantagem em tudo”, é algo que sempre me irritou mas ultimamente tem me tomado em proporções maiores. O fato é, isso tudo nos incomoda, mas é mais fácil vc moldar a si mesmo do que mudar as pessoas. Elas não vão mudar por causa da nossa indignação, pelo nosso desabafo, porém permanece o nosso direito de protesto.

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Publicado às 13/12/11 por em Reflexão e marcado , , , , , .
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