DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Noturno, Trilogia da Escuridão

Nova York, aeroporto JFK. O Boeing 777 da Regis Airlines, vindo de Berlim, aterrisa na hora prevista. Subitamente, na pista de pouso, seu motor para. As luzes se apagam. Os canais de comunicação silenciam. A equipe de terra se perde numa espera aflitiva por algum sinal dos passageiros. Considerando a possibilidade de um ataque biológico, o Centro de Controle de Doenças é acionado e o Dr. Eph Goodweather, responsável pelo projeto Canário, responde ao chamado. Ao subir a bordo, seu sangue gela com o que vê. Harlem Espanhol, rua 188. Numa loja de penhores, um sobrevivente do Holocausto, Abraham Setrakian, cujos estudos de folclore da Europa Oriental levaram-no para os mais obscuros cntos do mundo, intui que algo grave está prestes a acontecer. Sabe que a hora chegou e que a guerra está apenas começando. Uma pandemia vampírica se espalha por toda a cidade de nova York e irrompe numa batalha sem proporções. Eph se une a Setrakian e a um grupo inusitado de combatentes para neutralizar a ação do vírus e salvar a sua cidade – a mesma que abriga sua mulher e seu filho – antes que seja tarde demais. Guillermo Del Toro, criador visinário de O labirinto do fauno, e Chuck Hogan, autor consagrado pelo prêmio Hammett, trazem sua imaginação para este épico de coragem e audácia, sobre uma batalha entre homens e vampiros que ameaça toda a humanidade. Noturno é o primeiro livro da Trilogia da Escuridão, um fenômeno que promete conquistar o mundo.

Este texto encontra-se na orelha do livro Noturno, pertencente à Trilogia da Escuridão, escrito por Guillermo del Toro e Chuck Hogan. Antes de iniciar esta resenha, cheguei a ler outros textos na Internet e fiquei impressionado com o teor das redações. Ora animadoras, ora ofensivas. Para a primeira visão, o que resta aos leitores é ficar entusiasmado e esperar que o livro valha tanto a pena quanto a pessoa disse que vale; já na segunda, o temor de ser tão ruim chega a desanimar e impedir que a leitura seja iniciada. Ainda assim, é complicado tratar sobre um assunto sem expressar um mínimo de opinião. Mas, vamos começar.

Noturno possui 463 páginas, versão traduzida para o português, volume não muito grande para um assunto tão atual. Anne Rice e Bram Stroker já trataram sobre vampiros, de forma belíssima, adianto, antes mesmo que eu pensasse em nascer. Mas, cada autor tem uma visão particular dos vampiros. Até que se prove a existência de um deles, fiquemos então com a versão de cada escritor. Em Noturno, obviamente há momentos de maior lentidão, especialmente quando os assuntos ficam mais técnicos e científicos do que supõe nosso conhecimento. Isso confere, em contrapartida, fôlego para todas as estórias apresentadas. Ainda que haja um núcleo próprio para a trama, diversas personagens congregam, de maneira interessante, características que aumentam a tensão ao longo da estória. Desde simples trabalhadores da área de TI a artistas famosos, percebe-se que a construção das personagens foi bem amarrada.

Do ponto de vista técnico e científico é que encantei-me com os vampiros. São seres totalmente inumanos, desprovidos de características singelas como Edward Cullen (Twilight), Angel (série homônima) ou Selene (Underworld). São criaturas demoníacas com um único objetivo: dominação, por meio da alimentação infinita e da reprodução em massa dos seres, por meio de um ataque bestial e digno de uma boa estória de terror. E neste ponto eu admito, sou fã do trabalho de Guillermo del Toro, responsável por criaturas dos filmes Cronos, El Laberinto del FaunoEl OrfanatoEl espinazo del Diablo, Hellboy I e Hellboy II, SpliceDon’t Be Afraid of the Dark e de muitos outros filmes. Então, falar mal de Noturno seria difícil. É impossível não ter uma ideia visual dos vampiros enquanto a estória segue. Explicações médicas, de alto teor científico, encantaram-me. Podem, todavia, ter deixado algumas pessoas enfadonhas.

A visão de Nova Iorque ser tomada por vampiros é incrível, pois detalhadamente se tem a posição de onde as situações acontecem. Assim, é possível entrar na estória, de modo a perceber o narrador ao seu lado, aumentando paulatinamente a dose de ansiedade. O mistério acerca do Boeing 777 apenas fornece a base estomacal de aflição para suportar as páginas seguintes. Um eclipse solar, com termo correto “ocultação”, desvia o foco do leitor, mas configura-se como fator importante para evitar que a propagação dos vampiros pela cidade torne-se um caos evidente. O desespero do Dr. Eph Goodweather é compartilhado com o restante das personagens e acabamos por nos alimentar desse clima de tensão enquanto os ataques aumentam e a raça humana tem seu fim orquestrado por um dos Mestres. Dizer que a escolha de Nova Iorque foi clichê soa desnecessária, especialmente quando se trata de uma trilogia que em breve estará nas telas cinematográficas. O tratamento dispensado para a caça aos vampiros, em especial ao extermínio, logo me lembrou de Ghostbusters. São armas específicas, bem diferentes dos crucifixos, das réstias de alho e da água benta. Numa determinada passagem do livro, o velho Setrakian aponta para objetos religiosos e diz: “Tão razoáveis quanto esparadrapo e antibióticos. E não mais eficazes“.

Noturno tem o cuidado de deixar o leitor atônito com os fatos, preocupado com o futuro próximo, mas com uma ligeira esperança de que tudo dará certo no fim. Sabendo ser uma trilogia, acho que nem tudo termina tão bem na primeira fase, certo? Bem, descubra por si só. Minha opinião: para quem gosta do gênero, tem estômago para situações adversas e procura enriquecer seus conhecimentos, vale cada centavo investido. A leitura é sempre uma boa pedida.

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Um comentário em “Noturno, Trilogia da Escuridão

  1. Dee
    18/12/11

    Vou colocar na lista de livros que eu vou te pedir emprestado!!! **rs**

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Publicado às 08/12/11 por em Literatura e marcado , , , , , .
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