DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Posso lhe contar uma coisa?

Dia estressante de trabalho e/ou faculdade. Tudo o que você deseja nesse momento é chegar em casa, jantar alguma coisa leve, tomar uma bela ducha e descansar. É bem provável que você ainda passe alguns minutos em frente ao computador, posteriormente à televisão e finalmente deite em sua cama para ler mais alguns capítulos do seu recém-adquirido livro. Você acabou de chegar em seu domicílio e, antes que pudesse fazer qualquer coisa, recebe uma ligação de um(a) grande amigo(a). Palavras fiadas são lançadas e, em pouco tempo surge a frase “nossa, posso lhe contar um segredo?“. Você sente um calafrio em seu pescoço e imagina qual bomba virá pela frente.

Bem, partindo do pressuposto que segredo é algo que há de mais escondido, o que se oculta à vista, ao conhecimento; o que a ninguém deve ser dito; que é secreto e confidencial, se esse(a) seu(sua) amigo(a) quer transmitir essa informação por telefone já temos 3 envolvidos (ele(ela), você e a operadora de telefonia), em contrapartida ao anteriormente explícito.

Mesmo assim, ele(ela) quer contar, então vamos adiante com a estória. Você ouve atentamente a informação e, em determinado momento, fica estarrecido(a). Obviamente que não é nada grave e que possa comprometer a vida e/ou integridade física de alguém. Outrossim, é um dado valioso que pode ser ardilosamente explorado por outras partes. De forma honesta e íntegra, você assinala (verbalmente) um contrato de confidencialidade da informação.

O que acontece? Seu jantar foi para o espaço e seu banho também. Ao invés de relaxar e esfriar a cabeça enquanto a água escorre ralo abaixo, você fica em situação infinita de “loading…” da informação recebida, como se estivesse em um jogo de video game. Contudo, você sabe que não pode contar a ninguém o que acabou de saber. Não se arrisca a falar sozinho, temendo que qualquer vizinho alucinado com um copo grudado na parede possa ouvir seus pensamentos. E o pior, teme, por antecipação, esboçar qualquer tipo de reação quando encontrar com outras pessoas na rua, estejam elas envolvidas ou não no relato recebido.

Contudo, para a sua felicidade, o(a) seu(sua) grande amigo(a) acabou contando para outra pessoa também. E essa criatura teve a infelicidade de repassar a informação adiante. A fofoca foi, então, feita com sucesso. Você sente que um enorme peso foi removido das suas costas, sem sequer ter dito a alguém o que está “na boca de Matilde“! Melhor que isso, sente-se aliviado(a) por não precisar esconder a informação, ainda que queira evitar a sua propagação. Afinal de contas, ninguém quer ser o segundo fofoqueiro do escalão.

A estória acima foi apenas um preambulo para demonstrar uma verdade: ninguém precisa saber tudo da sua vida, assim como você não precisa saber tudo da vida de alguém. Saiba entender e respeitar os limites alheios. A vida é feita de trocas, simples e complexas. Querer que elas sejam bem-sucedidades, sem aborrecimentos, depende de cada um.

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3 comentários em “Posso lhe contar uma coisa?

  1. Alyne
    20/10/11

    Olha eu aqui de novo, viajando e divagando com os textos de Doces Divagações. Muito muito legal esse texto. Abraçossss

  2. Maurício Gomes
    13/11/11

    Situação complicada. Sei muito bem como é. Mas, às vezes, há coisas que fogem ao nosso controle e de repente você se vê presso à situação. Por outro lado, ao final todos estão livres porque o segredo foi dito a mais alguém.

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Publicado às 12/10/11 por em Reflexão, Vapt-Vupt e marcado , .
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