DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Um Brasil repleto de diferenças

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”

Este é o preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05/10/1988, com emendas anuais desde 1995, também chamada de Constituição Brasileira. Por intermédio do artigo 5º, fica estabelecido que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade“.

Infelizmente, todavia, não é isso que se vê na prática. Nos termos da lei os brasileiros não deveriam sofrer qualquer tipo de distinção. Porém, o que se vê é algo mais ou menos assim:

a) movimentos de ordem religiosa com o intuito de arrebanhar fiéis;
b) movimentos de ordem racial no sentido de criar cotas para ingresso em vestibulares e para vida profissional, quer seja no âmbito do Estado (admissão por concurso público), quer seja na iniciativa privada;
c) movimentos relativos à orientação sexual dos indivíduos, na forma de passeatas e manifestos. Concordo, contudo, que não existe qualquer previsão, no Art. 226 da Constituição, acerca do reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo;
d) movimentos relativos à manutenção das necessidades básicas dos indivíduos, como saúde, segurança, educação, transporte, moradia e trabalho. A frequência destes movimentos tem aumentado drasticamente com o passar do tempo.

As pessoas têm buscado cada vez mais diferentes veículos de comunicação para alertar, reclamar, opinar e trazer à tona as questões acima, justamente pela falta de comprometimento político para o devido tratamento e solução dos problemas. São fáceis de serem solucionados? Obviamente que não. Contudo, alguns políticos, ao invés de preocuparem-se com os próprios bolsos deveriam pensar (realmente) em seus eleitores.

Concordo que não é uma situação que deve ser exclusivamente deixada nas mãos dos governantes. Temos, sim, como cidadãos, que fazer nossa parte. Entendo, todavia, que não é valorizando as diferenças que alcançaremos nossos objetivos. Se desejamos ser tratados como iguais, a fim de termos as mesmas oportunidades nos diversos aspectos da sociedade, não podemos aumentar o abismo que existe entre as pessoas.

Há, certamente, classes, opiniões e pensamentos diferentes, assim como há gostos diferentes. Não queira que um cantor de música sertaneja seja igual a um rapper da periferia, contudo nada os impede de terem o mesmo acesso à educação, à saúde, aos meios de transporte e à vida profissional. E não é porque gostam de gêneros musicais diferentes que devem ser taxados, classificados e etiquetados. Infelizmente, os próprios reclamantes rotulam e diferenciam os demais, criando conceitos, definições e estereótipos. Quanto maior a diferença entre os indivíduos, pior será para chegarmos a uma solução.

E quando tentamos resolver nossos problemas, sofremos diferenciação por outras pessoas que acreditam ser salvadores da pátria. É o chamado “jeitinho brasileiro” para um “tratamento diferenciado“. Paga-se, portanto, por isso. E na maioria das vezes quem paga a conta é justamente quem se destaca -negativamente- nessa diferenciação. Por mais que esteja escrito, a Constituição não garante, por si só, tratamento igual àqueles que nela buscam amparo.

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Publicado às 29/06/11 por em Reflexão e marcado , , , .
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