DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Desejo e Reparação

Antes de escrever um texto é comum que procuremos uma motivação que nos oriente no processo literário. O gancho de hoje veio com o filme Desejo e Reparação (Atonement, UK, 2007), além de outras divagações que encontravam-se residentes e carentes de escrita. O filme, de acordo com a Wikipedia [link], é baseado no best-seller homônimo do escritor britânico Ian McEwan e aborda inúmeros temas, do poder da criatividade às estórias de horror da 2ª Guerra Mundial. Os maiores temas retratados são, sem dúvida, os sentimentos de culpa e de arrependimento. Dirigido por Joe Wright e com atuação principal de Keira Knightley, James McAvoy e Romola Garai.

O filme gira em torno do romance verídico escrito pela personagem Briony Tallis. Enquanto vivia confortavelmente em sua casa na Inglaterra, aos 13 anos, percebe um possível romance entre sua irmã Cecilia Tallis [Knightley] e Robbie Turner [McAvoy], filho do antigo empregado da família. Quando os convidados estavam prestes a jantar, Briony, completamente apaixonada por Robbie, acusa-o de ter abusado sexualmente de sua prima, Lola Quincey, no jardim da residência, mesmo sem ter provas. Robbie é levado à prisão e, mais tarde, decide alistar-se no Exército Britânico, para lutar na 2ª Guerra Mundial como alternativa ao cárcere. O desenrolar desta estória é extremamente surpreendente. Para quem não viu o filme, recomendo.

Mas apresentei o filme apenas como gancho para um devaneio de fim de semana. Quanta vivência é necessária para encontrar um amor? Quanto temos de sofrer para viver um grande amor? Quanto podemos esperar para, enfim, encontrar a felicidade? Algumas destas perguntas são oriundas do filme. O amor, explícito e latente, vivenciado por Cecilia e Robbie permite uma reflexão profunda e complexa. Será que o amor está escrito nas estrelas? Há, como alguns pensam, a predestinação para os encontros amorosos?

Se eu tentar responder tais perguntas certamente replicarei com outras. O amor é um sentimento simples. Não necessita de estudos, de mestrado e muito menos de doutorado. Ele simplesmente existe e deve ser vivido, como a respiração, que a fazemos sem perceber, sem pensar. Sofremos porque complicamos as coisas, colocando a razão sobre os sentimentos que importam. Razão e sentimentos caminham juntos e não podem ser sobrepostos.

Faça um teste: pense em todas as pessoas que você realmente ama. Não me refiro à paixão, mas sim ao amor. Ambos possuem significados, intensidades e, principalmente, aplicações diferentes. Ninguém ama do dia para a noite, tampouco o contrário. Quantas pessoas lhe fizeram feliz? Quantas pessoas lhe disseram que o(a) ama? Algumas vezes, não são necessárias palavras para demonstrar afeição e carinho a outrém. Menos ainda, para o amor. Só se diz “eu lhe amo” quando o sentimento vem do âmago do coração, praticamente do fundo da alma.

E só quem ama realmente entende, compreende e perdoa. Reparações são complicadas, pois exigem mais do que a simples racionalização dos fatos: requerem entendimento quase que cósmico, dependendo do caso. Pedir desculpas pode perder seu sentido quando a reincidência fere. Qualquer um sabe a diferença entre o certo e o errado [ou pelo menos deveria saber]. Mentiras podem não ser eternas, mas as consequências de seu sofrimento sim.

Certamente, há que se colocar uma coisa em mente: amar faz bem à saúde, tanto para quem ama, quanto para quem é amado. E, para isso não é preciso refletir muito, basta observar ao seu redor.

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2 comentários em “Desejo e Reparação

  1. Pingback: Sinceridade X Traumas Amorosos « SentimentaLógico

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Publicado às 16/05/11 por em Reflexão e marcado , , , .
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