DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Seria possível uma Feliz Páscoa?

A Páscoa é considerada uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. Sua origem remonta muitos séculos atrás, que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, Paska. Entre os hebreus, Pesach, que quer dizer passagem. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos. Já para os judeus a importância é maior, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durantes vários anos. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.  Entre os cristãos, esta data celebra a ressurreição de Jesus Cristo  O festejo era realizado no domingo seguinte à lua cheia posterior ao equinócio da Primavera. A semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa, tendo seu início no Domingo de Ramos, marcando a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

O breve resumo sobre a Páscoa revela seu motivo de existência: uma passagem; tempo de meditação e reflexão; tempo de sacrifícios e de privações; enfim, um tempo de congregação religiosa. Infelizmente, a Páscoa hoje possui um significado bem mais prático: época para o consumo de peixes e de ovos de Páscoa. Pode parecer frio resumir um evento religioso em duas situações banais. Porém, é a realidade.

Bom, confesso que eu gosto das duas coisas: tanto de peixes, quanto dos ovos de Páscoa. Obviamente que a Páscoa é muito mais que isso. Não quero dar uma de teologista aqui para explicar o fundamento completo da Páscoa, mas admito ter ficado chocado com as recentes notícias nos telejornais. A cada manchete um pano de sangue é espremido dentro do balde sobre nossas cabeças. Em uma notícia, um jovem de 24 anos foi cruelmente morto em Campina Grande; noutra, na comemoração de dois casamentos, o noivo de um mata a mãe do outro noivo; sem contar com as tragédias na Escola de Realengo, e nas centenas de acidentes fatais nas ruas e estradas do Brasil.

E com tanta tragédia por aí, é possível observar manchetes que abordam consumidores que se enfrentam pela compra de ovos, na busca pela felicidade dos familiares. Alguns, inclusive, se ferem, chegando ao ponto de envolver delegados de polícia para resolver o caso – como se as Polícias já não tivessem trabalho suficiente.

Entendo que a mídia possui o dever de educar e informar os espectadores sobre condições que envolvam a manutenção da vida humana, mas as manchetes estão abusivas, invasivas e de um nível tão baixo quanto os agressores envolvidos nos crimes. Já tive intenção de entrar para o mundo do jornalismo um dia, mas hoje vejo o quanto é difícil uma profissão que depende tanto da tragédia humana para se promover. As boas notícias sempre ficam por último – quando ficam – e possuem o menor tempo possível. Ultimamente presenciamos aulas de criminalidade em nossos televisores. E para piorar, como se não fosse possível, nem os canais pagos ficam livres deste horripilante costume – alguns vão além, como se fossem investigadores psicológicos da mente criminosa: um guia prático para a formação de novos profissionais.

Mesmo com esse pequeno desabafo, quero desejar a todos uma excelente Páscoa, com ou sem peixes e ovos. Reúna a família, fale assuntos agradáveis, cante músicas tranquilas e faça com que as crianças brinquem para não se esquecerem desse momento. Eduque seus filhos para que eles tenham noção completa dos valores básicos, da ética e da compaixão do ser humano. Se você quer um mundo melhor para seus filhos, comece hoje mesmo. Feliz Páscoa.

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2 comentários em “Seria possível uma Feliz Páscoa?

  1. Aliny Meira
    18/04/11

    A Páscoa é uma das datas comemorativas que considero importante. Confesso que adoro passear pelas casas de chocolate e supermercados, e ficar admirando as decorações. Mas o sentido dessa data é ainda mais profundo. Representa o tempo para refletir e reavaliar nossas atitudes, com o intuito de compreender que cada minuto de nossas vidas deve ser dedicado à busca da felicidade.

  2. Dee
    18/04/11

    Pois é, as vezes eu prefiro não assistir tv porque não me conformo com tanta coisa ruim sendo anunciada com tanta frequência e tamanha banalidade!!! Tão raras qto as notícias boas são as pessoas q se interessam por elas… Infelizmente…

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Publicado em 18/04/11 por em Reflexão.
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