DOCES DIVAGAÇÕES

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Humanidade – até que ponto?

De acordo com o dicionário Houaiss, transcrevo algumas definições para o verbete humanidade: conjunto de características específicas à natureza humana; sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos; e qualidade de quem realiza plenamente a natureza humana.

Ao fim da primeira semana do mês de Abril, os brasileiros foram surpreendidos com o episódio ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Sei que o Doces Divagações é um blog com o intuito de tratar de assuntos serenos, de cunho filosofal e/ou reflexivos – mas sempre em tom de alegria. Contudo, diante do fato amplamente divulgado pela mídia brasileira, não pude deixar de opinar sobre o tema.

Infelizmente, sem sombra de dúvidas, foi uma verdadeira tragédia. Não somente pela forma como as vítimas sofreram (e ainda sofrem), mas também pela maneira como a mídia abordou o assunto. Vivemos em uma época em que as notícias são veiculadas tão rapidamente que é possível haver certo esquecimento das notícias anteriores, tamanha sobrecarga de informação. Mas, desta vez, a mídia conseguiu superar seus feitos de maneira extraordinária – talvez com mais crueldade que o próprio Wellington Menezes poderia prever. Em diversos sítios de notícias há a expressão “Cenas de horror em Realengo” e outras tantas, ainda piores, como se fosse a sinopse de um filme de terror do tipo B.

Concordo plenamente que é dever do jornalismo (de forma geral) cobrir as manchetes ocorridas em seus diversos ramos de atuação. Entretanto, a forma como isso se dá, especialmente neste caso de Realengo, é fator preponderante para o estímulo de outras pessoas em relação ao assunto apresentado. Tivemos claramente uma receita de bolo, com fidelidade máxima e em Full HD: a abordagem clara de todos os passos executados pelo matador, imagens exclusivas do crime e infinitas entrevistas com familiares das vítimas envolvidas.

Compartilho da opinião da Dra Ana Beatriz Barbosa Silva, da Clínica Médica do Comportamento (link aqui), quando disse: “Temos que parar de glamorizar a violência. As capas dos jornais todas têm a foto do Wellingotn com a arma. Eu queria ver a foto do Alves. A gente não pode concordar com isso porque a gente acaba pensando que é fácil.” A mídia tem explorado demais – e repetidamente – a criminalidade existente em nosso país. Quando pior, demonstra passo a passo a forma de combate ao crime e as novas táticas exercidas pela força policial, especialmente se há nova infraestrutura de combate – um prato cheio aos criminosos.

E então eu pergunto: até que ponto há humanidade nos seres humanos? Até que ponto a mídia exerce uma boa influência na sociedade? Até que ponto conseguiremos suportar outras situações, mas com estórias semelhantes, novamente? O ser humano está perdendo sua essência enquanto desenvolve o desapego a tudo aquilo que está ao seu redor. Os sentimentos puros e de coração não são mais perceptíveis, pois deram lugar e espaço à individualidade, ao egoísmo e à ganância. Uma dica? Aplique, o máximo que puder, o real sentido da palavra humanidade.

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Publicado em 10/04/11 por em Reflexão.
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