Doces Divagações

Pensamentos voam e, de repente, pousam aqui.

Espelho, Espelho Meu

Esta é uma história verdadeira de uma jornada. Um jornada por uma música, primeiramente, e então pela mulher que a escreveu.

A canção aparece nos créditos finais do filme Espelho Espelho Meu (Mirror Mirror, EUA, 2012), o primeiro deste ano de duas grandes adaptações do conto de fadas da Branca de Neve. Seu diretor, Tarsem Singh, ouviu essa música em meados de 1970, quando era apenas um garoto que cresceu na província de Punjab, na Índia.

O nome da canção era I Believe e foi cantada, em inglês, por uma mulher melhor descrita como a Madonna do Irã naquela época. Conhecida como Googoosh, usava um corte de cabelo ao estilo inspirado por Mia Farrow. “Como  crianças, estávamos habituados a dançar essa música“, disse Singh para o jornal The Huffington Post. “Nós amamos isso.”

Três décadas depois, Singh tocou a música para sua sobrinha, que estava com ele em Montreal, enquanto ele estava filmando Imortais (Immortals, EUA, 2011). Claramente, esta música poderia ter um apelo mais amplo – e uma ressonância especial para os jovens. Foi então, ao ler o roteiro de Espelho Espelho Meu, que Singh decidiu que seu filme simplesmente tinha que terminar com um número musical: “De repente, eu disse, ‘É perfeito, o filme termina com a Branca de Neve cantando “I believe in love!“. Foi aí que a diversão começou.

A decisão de Singh desencadeou uma série de eventos que durou mais de um ano e reuniu dezenas de pessoas, desde executivos dos estúdios a investigadores particulares: todos em busca de uma mulher que ninguém saberia onde encontrar.  A razão pela busca era simples. Para incluir “I Believe” no filme Espelho Espelho Meu, os produtores tinham de ter certeza sobre os direitos autorais, mas eles não tinham ideia de quem detinha tais direitos.

Tentaram de todas as formas contatar os produtores de Googoosh, mas só obtiveram a resposta de que os direitos da música pertenciam ao governo Iraniano. Antes de desistir completamente, um assistente da produção da Relativity fez uma ligação para Koo Abuali, uma ex-música que havia feito um trabalho simples (de baixo orçamento), mas que buscava sua grande oportunidade. Quando Espelho Espelho Meu estava sendo filmado Abuali se mudou de Los Angeles para Montreal, em busca de um interesse amoroso e profissional: arranjar um bom trabalho no filme.

Abuali teve um grande golpe de sorte ao localizar o advogado de Googoosh e descobrir que ele era um velho conhecido de Los Angeles. Ela entrou em contato com o consulado Iraniano, com o Festival de Cannes (onde Googoosh participou com a música) e praticamente com todo mundo no círculo musical Iraniano, incluindo seu assistente, dois compositores, o médico e até mesmo seu ex-marido, Mahmoud Ghorbani. “Foi um apanhado de peças, uma atrás da outra, mas que levaram a lugar algum“, disse Abuali.

Com a ajuda do Google, Abuali descobriu que a música “I Believe” foi um cover de uma canção intitulada “Love”, que apareceu pela primeira vez em um filme chamado “Taking Off“, dirigido por Milos Forman, vencedor do Oscar de “Amadeus” e “One Flew Over the Cuckoo’s Nest“. A mulher que cantou “Love” no filme foi também responsável pela composição da música. Seu nome era Nina Hart, tinha 20 anos em 1971 e era americana. Quão difícil seria encontrá-la? Mais do que se pensava, uma vez que Nina se casou, mudou de nome ao incorporar o sobrenome do marido e sumiu do mapa.

Em 06 de Junho, às 16:25 horas, Abuali recebeu um e-mail do escritório de Lipsitz confirmando que eram os editores da canção “Love“, também conhecida como “Taking Off” e “I Believe in Love“, composta por Nina Hart. Agora Singh poderia dar continuidade com seus planos de gravar uma nova versão da música para o filme Espelho Espelho Meu. “Essa garota merece todo o crédito“, disse Singh sobre Abuali.

Uma vez que os direitos de “I Believe” foram garantidos, Tarsem Singh seguiu seu plano para filmar uma cena em que Branca de Neve, interpretada Lily Collins, uma garota de 22 anos, cantasse a canção. A faixa havia sido remixada e reescrita e suas letras foram ajustadas para refletir o tema principal do filme. Mas o refrão cativante permaneceu intacto: “I believe, I believe, I believe, I believe in love. Love! Love, love, love!“. Porém, Collins nunca havia cantado profissionalmente, ainda que seu pai seja Phil Collins. No fim das contas, o trabalho agradou a todos do elenco, marcando o filme de maneira precisa e inusitada.

Justiça seja feita, Nina Hart receberá os royalties pela composição da música. Porém, ainda é muito cedo para dizer quanto dinheiro ela receberá pelo filme Espelho Espelho Meu. Mas uma coisa é certa: ela é, agora, uma das poucas pessoas na história a ter uma música escrita por ela mesma e que foi selecionada por dois diretores diferentes, de filmes diferentes.

Minha paixão por trilhas sonoras de filmes não é em vão, tenho certeza disso. Somente quem passa por algo semelhante ao relatado acima pode valorizar, com precisão, o que muitos julgam ser mais um CD de música. Uma busca breve na Internet e é possível encontrar a trilha sonora por US$ 13,55, convertidos a aproximadamente R$ 30,00 quando é lançada no Brasil. E não poderia terminar de modo diferente senão colocando a música para vosso deleite e apreciação!

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2 comentários em “Espelho, Espelho Meu

  1. Agora deu vontade de assistir ao filme!!! **rs**

  2. Natália
    18/08/12

    Nossa , eu precisava fazer um trabalho sobre essa música e achei tudo aqui ! Me salvou *-*

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